BERÉIA - APOLOGÉTICA - Instituto Teológico Theopneustos.
"Ora, estes de Bereia foram mais nobres do que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim." (Atos 17 : 11 - ARA)
sábado, 3 de janeiro de 2026
Lição 01 – O Mistério da Santíssima TrindadeClasse: Adultos
domingo, 9 de novembro de 2025
📖 O AMOR DE 1 CORÍNTIOS 13 – O CAMINHO MAIS EXCELENTE.
sábado, 1 de novembro de 2025
“Amar a Deus com todo C.A.F.E.”
sábado, 27 de setembro de 2025
Assembleia de Jerusalém - aula 13
Comentário Teológico Expandido – Assembleia de Jerusalém (Atos 15)
1. Introdução histórica e teológica
A chamada Assembleia de Jerusalém foi o primeiro concílio da Igreja Cristã, ocorrido por volta do ano 49 d.C., e registrado em Atos 15. Este evento é fundamental para entendermos a identidade da Igreja e sua missão no mundo. A questão central não era apenas se os gentios podiam ser salvos, mas como eles seriam salvos: pela graça de Cristo ou pela observância da Lei de Moisés.
Esse conflito representava uma encruzilhada histórica. Se prevalecesse a visão dos judaizantes (cristãos de origem farisaica que defendiam a circuncisão e a lei como obrigatórias), o cristianismo seria reduzido a uma seita dentro do judaísmo. Contudo, ao reafirmar a graça de Cristo como suficiente para a salvação, a Igreja consolidou sua vocação universal.
2. A questão doutrinária (At 15.1–5)
O problema nasceu em Antioquia, centro missionário do cristianismo gentílico, após a primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé (At 14.27).
Os judaizantes afirmavam que a fé em Cristo era necessária, mas não suficiente. Para eles, a salvação exigia circuncisão e submissão à lei mosaica (At 15.1,5).
Essa posição equivalia a reconstruir o muro de separação derrubado por Cristo (Ef 2.14–16) e a negar a suficiência da cruz (Gl 2.16).
O perigo do legalismo surge aqui com força: transformar a graça em complemento da lei, quando na verdade Cristo é o cumprimento da lei (Rm 10.4).
3. O debate doutrinário (At 15.6–21)
Reunidos em Jerusalém, os apóstolos e anciãos debateram com profundidade a questão. Três figuras centrais se destacam:
a) Pedro
Ele relembrou a experiência de Cornélio (At 10), mostrando que Deus concedeu o Espírito Santo aos gentios sem exigir a circuncisão (At 15.8–9).
👉 Teologia prática: a experiência espiritual dos gentios confirmava a suficiência da fé em Cristo.
b) Paulo e Barnabé
Relataram os sinais e milagres entre os gentios, mostrando que Deus aprovava a inclusão deles sem as obras da lei (At 15.12).
👉 Teologia missional: o Evangelho é poder de Deus para judeus e gentios (Rm 1.16).
c) Tiago
Recorreu às Escrituras (Am 9.11–12; Is 49.6) para demonstrar que os profetas já anunciavam a inclusão dos gentios no povo de Deus (At 15.13–18).
👉 Teologia bíblica: a Palavra confirma que a Igreja é o cumprimento das promessas messiânicas.
O equilíbrio entre experiência do Espírito e fundamentação bíblica foi decisivo. Assim, a Igreja discerniu a voz de Deus unindo prática, testemunho e Escritura.
4. A decisão final (At 15.22–29)
A resolução da Assembleia foi registrada e enviada em forma de carta às igrejas.
A salvação é pela graça, mediante a fé em Cristo, sem as obras da lei (Ef 2.8–9).
Não se exigiu a circuncisão nem a observância da lei mosaica.
Foram recomendadas quatro práticas (At 15.29) para preservar a comunhão entre judeus e gentios:
1. Abster-se das comidas sacrificadas a ídolos;
2. Abster-se da imoralidade sexual;
3. Não comer carne de animais estrangulados;
4. Não consumir sangue.
Essas restrições não eram requisitos de salvação, mas orientações prudenciais para evitar escândalos e preservar a unidade da Igreja.
5. O papel do Espírito Santo (At 15.28)
A decisão foi reconhecida como fruto da direção do Espírito Santo: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós...”
Isso mostra que o Espírito não é uma doutrina abstrata, mas pessoa ativa na condução da Igreja.
A presença de profetas (At 15.32) indica que a orientação vinha por meio dos dons espirituais, confirmados pela Escritura e pela unidade da liderança.
O modelo é claro: a Igreja deve ser submissa à Palavra e sensível ao Espírito.
6. Implicações teológicas e práticas
A Assembleia de Jerusalém estabeleceu princípios que permanecem atuais:
1. Contra o legalismo: não podemos adicionar exigências humanas à salvação.
2. Centralidade da graça: a salvação é obra exclusiva de Cristo, não resultado de méritos humanos.
3. Unidade na diversidade: a Igreja acolhe pessoas de todas as culturas, respeitando diferenças sem abrir mão da verdade.
4. Discernimento espiritual: experiências devem ser confirmadas pela Escritura.
5. Conciliação e diálogo: diante de conflitos doutrinários, a Igreja deve buscar soluções em colegiado, guiada pelo Espírito.
7. Conclusão
A Assembleia de Jerusalém foi um marco decisivo na história da Igreja. Diante de uma crise que poderia fragmentar a fé cristã, a liderança buscou a orientação do Espírito, fundamentou-se nas Escrituras e preservou a unidade do corpo de Cristo.
O resultado foi uma decisão bíblica, espiritual e pastoral, reafirmando a pureza do Evangelho e garantindo que a Igreja se mantivesse aberta a todas as nações.
quinta-feira, 17 de julho de 2025
O DÍZIMO NO ANTIGO E NOVO TESTAMENTO: UMA ANÁLISE BÍBLICA E TEOLÓGICA
I. INTRODUÇÃO TEOLÓGICA
O dízimo, que significa “a décima parte” (hebraico: ma‘ăśēr; grego: dekátē), é um princípio que perpassa a história da revelação bíblica. Desde os patriarcas, passando pela Lei Mosaica, até o Novo Testamento, o dízimo assume diferentes funções: expressão de gratidão, manutenção do culto e símbolo de fidelidade a Deus.
Contudo, o Novo Testamento traz uma nova perspectiva, não anulando o princípio, mas o reinterpretando à luz da graça.
Tese:
👉 “O dízimo é um princípio divino instituído antes da Lei, regulamentado na Lei de Moisés e reinterpretado no Novo Testamento como expressão de generosidade e fidelidade voluntária, refletindo a graça e não a imposição legalista.”
II. O DÍZIMO NO ANTIGO TESTAMENTO
1. Antes da Lei (Princípio Patriarcal e Universal)
✅ Abraão – Dízimo como gratidão e reconhecimento da soberania de Deus
Gênesis 14:18-20 – Abraão deu o dízimo a Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo, antes mesmo da Lei.
👉 “E deu-lhe o dízimo de tudo.”
🔎 Análise: Abraão não deu por obrigação, mas por reconhecimento da vitória que Deus lhe concedera.
✅ Jacó – Voto voluntário de fidelidade
Gênesis 28:20-22 – Jacó prometeu dar o dízimo de tudo que Deus lhe concedesse.
👉 “E de tudo quanto me deres certamente te darei o dízimo.”
🔎 Análise: Um ato de fé e compromisso pessoal, e não um mandamento legal.
2. Na Lei Mosaica (Mandamento Teocrático e Cultual)
A Lei transformou o princípio em regulamento para sustento do culto e do sacerdócio levítico.
✅ Funções do Dízimo na Lei:
1. Sustento dos Levitas e sacerdotes – Números 18:21-24
👉 “Aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por herança, pelo serviço que prestam...”
2. Celebração e adoração a Deus (Dízimo das Festas) – Deuteronômio 14:22-27
👉 O dízimo era consumido em festividades religiosas em adoração a Deus.
3. Assistência aos pobres, órfãos e viúvas (Dízimo Trienal) – Deuteronômio 14:28-29
✅ Exortação Profética à Fidelidade:
Malaquias 3:8-10
👉 “Roubará o homem a Deus?... Trazei todos os dízimos à casa do tesouro...”
🔎 Análise: O profeta denuncia a infidelidade como roubo a Deus, destacando a bênção decorrente da fidelidade.
3. Características do Dízimo no Antigo Testamento
Obrigatório dentro da teocracia israelita.
Sustentava a adoração, o templo e os necessitados.
Era, acima de tudo, um ato de obediência e reverência a Deus.
III. O DÍZIMO NO NOVO TESTAMENTO
1. Jesus e o Dízimo
✅ Mateus 23:23 / Lucas 11:42
👉 “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois dais o dízimo da hortelã... e negligenciais o mais importante da lei...”
🔎 Análise: Jesus não condena o dízimo, mas critica a hipocrisia legalista, ensinando que justiça, misericórdia e fé são mais importantes.
✅ Hebreus 7:1-10
👉 O autor mostra que Abraão deu o dízimo a Melquisedeque, apontando para Cristo como Sacerdote eterno.
🔎 Análise: O dízimo é apresentado como um princípio que antecede a Lei e encontra cumprimento em Cristo.
2. A Igreja Primitiva e a Generosidade Voluntária
Embora o Novo Testamento não imponha o dízimo como lei, os crentes eram extremamente generosos.
✅ Atos 2:44-45; 4:34-35
👉 “Vendiam suas propriedades e bens e repartiam com todos, segundo a necessidade de cada um.”
✅ 2 Coríntios 9:6-7
👉 “Cada um contribua segundo propôs no coração; não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria.”
✅ 1 Coríntios 16:1-2
👉 Paulo orienta uma contribuição proporcional e regular, o que preserva o princípio do dízimo, mas sem a rigidez legal.
3. Princípios Neotestamentários de Contribuição
Voluntariedade e alegria – 2Co 9:7
Proporcionalidade e fidelidade – 1Co 16:2
Finalidade: sustento do ministério e dos necessitados – 1Tm 5:17-18; Gl 6:6
IV. TESE TEOLÓGICA
1. O dízimo não foi abolido, mas ressignificado na Nova Aliança: não como lei cerimonial, mas como princípio de gratidão e mordomia cristã.
2. A graça exige mais do que a Lei – quem foi salvo pela graça não deve dar menos do que um judeu dava sob a lei.
3. A Igreja não deve impor o dízimo como “imposto espiritual”, mas ensiná-lo como ato de adoração e fidelidade a Deus.
V. APLICAÇÕES PARA OS CRENTES HOJE
1. Reconheça que tudo pertence a Deus – Sl 24:1.
2. Seja fiel e regular em suas contribuições – 1Co 16:2.
3. Contribua com alegria, não por constrangimento – 2Co 9:7.
4. Lembre-se que dar é adoração – Fp 4:18 (“sacrifício agradável e aprazível a Deus”).
VI. CONCLUSÃO
O dízimo é um princípio eterno de mordomia, não um mero sistema de arrecadação. No Antigo Testamento, era lei nacional e religiosa; no Novo Testamento, torna-se expressão espontânea de amor e gratidão a Deus.
Quem vive pela graça deve ser ainda mais generoso do que aqueles que viviam sob a lei.