domingo, 9 de novembro de 2025

📖 O AMOR DE 1 CORÍNTIOS 13 – O CAMINHO MAIS EXCELENTE.

● Texto Base:

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.”
— 1 Coríntios 13:1


1. CONTEXTO HISTÓRICO E TEOLÓGICO

A cidade de Corinto era um importante centro comercial, cultural e religioso do mundo antigo. A igreja ali fundada por Paulo era vibrante, porém dividida e carnal. Havia disputas por dons espirituais, liderança e status (1 Co 1–12).
Após ensinar sobre os dons espirituais (cap. 12), Paulo apresenta o “caminho mais excelente”: o amor (agápē) — a virtude que dá sentido a todos os dons e ministérios.

 “E eu passo a mostrar-vos um caminho sobremodo excelente.” (1 Co 12:31)


Portanto, o capítulo 13 não é um “parêntese romântico”, mas o coração da ética cristã — o fundamento da verdadeira espiritualidade.

2. O SIGNIFICADO DO AMOR (AGÁPĒ)

No grego do Novo Testamento há três palavras principais para “amor”:

1. Éros — amor erótico, baseado no desejo físico;


2. Filía — amor fraternal, afeição entre amigos;


3. Agápē — amor divino, altruísta, incondicional.

O termo usado por Paulo em 1 Coríntios 13 é agápē, o amor que procede de Deus e se expressa em sacrifício e entrega (cf. João 3:16; Romanos 5:8).

“O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo.” (Rm 5:5)

3. A SUPREMACIA DO AMOR (vv. 1–3)

Paulo mostra que sem amor, até as maiores virtudes e dons se tornam inúteis:

Verso 1: Sem amor, o dom das línguas é só barulho.

Verso 2: Sem amor, a fé e o conhecimento não têm valor espiritual.

Verso 3: Sem amor, até o sacrifício pessoal é vazio.

Aplicação:
O amor é a essência da vida cristã. O valor do serviço não está no que fazemos, mas por que e para quem fazemos.

“O amor é o motor da obediência; o legalismo é o peso do dever.” – John Stott


4. AS QUALIDADES DO AMOR (vv. 4–7)

Paulo descreve o amor com 15 características práticas — não como sentimento, mas como ação:

Versículo Característica Sentido Teológico

v.4 O amor é paciente (makrothymei) Suporta ofensas e demoras sem retaliar.
v.4 É benigno (chrēsteuetai) Faz o bem, mesmo quando não é correspondido.
v.4 Não é invejoso Alegra-se com o bem alheio.
v.4 Não se vangloria Reconhece que tudo vem de Deus.
v.5 Não se porta com indecência Age com respeito e decoro.
v.5 Não busca os seus interesses Vive para servir, não para ser servido.
v.5 Não se irrita facilmente É dominado pelo Espírito, não pela emoção.
v.5 Não guarda rancor Perdoa, porque foi perdoado.
v.6 Não se alegra com a injustiça Ama a verdade, mesmo quando dói.
v.7 Tudo sofre, crê, espera, suporta Persevera em todas as circunstâncias.

 “O amor é a maior força moral do universo, porque é o próprio caráter de Deus.” – A.W. Tozer


5. A PERMANÊNCIA DO AMOR (vv. 8–13)

Os dons espirituais são temporários e parciais — necessários enquanto vivemos neste mundo imperfeito.
Mas o amor nunca acaba (ou piptēi — “não falha, não desmorona”).

 “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.” (v.13)

● A fé olha para o passado e presente (confia em Deus).
● A esperança olha para o futuro (aguarda as promessas).
● O amor é eterno — é o que continuará no céu.

6. O AMOR COMO EXPRESSÃO DE CRISTO

Cristo é a personificação perfeita do amor descrito por Paulo:

 “O amor é paciente” — Ele suportou a cruz.
“É benigno” — Curou os doentes e acolheu os pecadores.
“Não busca os seus interesses” — Deu a vida por nós.
“Tudo suporta” — Carregou nossos pecados até o Calvário.


Amar como Cristo é refletir o caráter de Deus.
Por isso Jesus disse:

 “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.” (Jo 13:35)

7. APLICAÇÕES PRÁTICAS

1. Na vida cristã: o amor é o maior fruto do Espírito (Gálatas 5:22).

2. No ministério: sem amor, o dom se torna vaidade.

3. No lar: o amor é a base da família cristã (Ef 5:25).

4. Na igreja: o amor une o corpo e glorifica o Cabeça — Cristo.

5. Na sociedade: o amor é a luz que vence o egoísmo e a indiferença.

8. CONCLUSÃO

O amor é o caminho mais excelente, o elo da perfeição (Cl 3:14) e a marca distintiva do verdadeiro cristão.
Tudo o que não é feito por amor carece de valor eterno.

 “O amor é o cumprimento da lei.” (Rm 13:10)

Resumo Teológico

Tema Referência Síntese

O amor é essencial 1 Co 13:1–3 Sem amor, dons e obras são vãos.
O amor é ético 1 Co 13:4–7 É ação e caráter cristão.
O amor é eterno 1 Co 13:8–13 É o vínculo celestial que permanecerá.

Reflexão final

“Deus é amor.” (1 João 4:8)
Amar é viver o próprio caráter de Deus.
O amor é a língua do céu, o sopro do Espírito e o caminho de Cristo.

sábado, 1 de novembro de 2025

“Amar a Deus com todo C.A.F.E.”

Excelente! 🌿 O acrônimo CAFE — Coração, Alma, Força e Entendimento — é uma forma prática e memorável de resumir o maior mandamento ensinado por Jesus:

> “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento.”
(Lucas 10:27)


A seguir, apresento um estudo teológico e devocional sobre o tema:
“Amar a Deus com todo C.A.F.E.”

☕ Introdução — O amor que abrange tudo

Jesus declarou que o maior de todos os mandamentos é amar a Deus integralmente — não de forma parcial, nem apenas com emoções, mas com todo o ser humano completo.
O amor verdadeiro é total, ativo e racional.
Podemos resumir esse amor no acrônimo C.A.F.E. — Coração, Alma, Força e Entendimento.

Assim como o café desperta o corpo, esse amor desperta o espírito para viver intensamente a presença de Deus.


❤️ C — Amar com todo o Coração

Significado:

O coração na Bíblia representa a sede dos sentimentos, da vontade e das decisões (Provérbios 4:23).

Amar a Deus com todo o coração é:

Colocar Deus no centro das emoções;

Permitir que a vontade d’Ele governe a nossa;

Ter um coração quebrantado diante da Sua presença (Salmo 51:17).


👉 É amar não apenas com palavras, mas com sinceridade, pureza e fidelidade.

> “Filho meu, dá-me o teu coração.” (Provérbios 23:26)


🕊️ A — Amar com toda a Alma

Significado:

A palavra hebraica nephesh e a grega psique significam “vida”, “fôlego”, “existência”.
A alma é o nosso ser interior — onde habitam os desejos, paixões e identidade.

Amar com toda a alma é:

Amar a Deus com o próprio ser, mesmo que custe a vida;

Entregar-Lhe os sonhos, os medos e a vontade;

Viver de modo que cada respiração revele dependência d’Ele.


> “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome.” (Salmo 103:1)


💪 F — Amar com todas as Forças

Significado:

O termo hebraico me’od significa “intensamente”, “com todo o vigor”, “ao máximo”.

Amar com as forças é:

Usar tudo o que temos e somos — corpo, tempo, talentos, recursos — para glorificar a Deus;

Servir com zelo e disposição, mesmo nas dificuldades;

Fazer da vida uma oferta viva (Romanos 12:1).


> “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor.” (Colossenses 3:23)


🧠 E — Amar com todo o Entendimento

Significado:

O termo grego dianoia fala da mente, da razão, do pensamento consciente.

Amar com o entendimento é:

Buscar conhecer a Deus por meio da Sua Palavra (Oséias 6:3);

Amar de forma racional e instruída, não apenas emocional;

Ter uma fé inteligente e fundamentada na verdade (Romanos 12:2).


> “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:32)


🔥 Conclusão — Um amor integral

O amor que Deus requer é integral, indivisível e prático.
Amar com todo o C.A.F.E. é:

Dimensão Significado Expressão prática

Coração Emoções e vontade Fidelidade e pureza
Alma Vida e identidade Entrega e adoração
Força Corpo e recursos Serviço e dedicação
Entendimento Razão e mente Conhecimento e fé consciente


> “Este é o primeiro e grande mandamento.” (Mateus 22:38)


Quando o amor a Deus transborda por todas as áreas do ser, nossa vida se torna uma expressão viva da Sua glória.


sábado, 27 de setembro de 2025

Assembleia de Jerusalém - aula 13

 Comentário Teológico Expandido – Assembleia de Jerusalém (Atos 15)


1. Introdução histórica e teológica


A chamada Assembleia de Jerusalém foi o primeiro concílio da Igreja Cristã, ocorrido por volta do ano 49 d.C., e registrado em Atos 15. Este evento é fundamental para entendermos a identidade da Igreja e sua missão no mundo. A questão central não era apenas se os gentios podiam ser salvos, mas como eles seriam salvos: pela graça de Cristo ou pela observância da Lei de Moisés.


Esse conflito representava uma encruzilhada histórica. Se prevalecesse a visão dos judaizantes (cristãos de origem farisaica que defendiam a circuncisão e a lei como obrigatórias), o cristianismo seria reduzido a uma seita dentro do judaísmo. Contudo, ao reafirmar a graça de Cristo como suficiente para a salvação, a Igreja consolidou sua vocação universal.


2. A questão doutrinária (At 15.1–5)


O problema nasceu em Antioquia, centro missionário do cristianismo gentílico, após a primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé (At 14.27).


Os judaizantes afirmavam que a fé em Cristo era necessária, mas não suficiente. Para eles, a salvação exigia circuncisão e submissão à lei mosaica (At 15.1,5).


Essa posição equivalia a reconstruir o muro de separação derrubado por Cristo (Ef 2.14–16) e a negar a suficiência da cruz (Gl 2.16).



O perigo do legalismo surge aqui com força: transformar a graça em complemento da lei, quando na verdade Cristo é o cumprimento da lei (Rm 10.4).


3. O debate doutrinário (At 15.6–21)


Reunidos em Jerusalém, os apóstolos e anciãos debateram com profundidade a questão. Três figuras centrais se destacam:


a) Pedro


Ele relembrou a experiência de Cornélio (At 10), mostrando que Deus concedeu o Espírito Santo aos gentios sem exigir a circuncisão (At 15.8–9).

👉 Teologia prática: a experiência espiritual dos gentios confirmava a suficiência da fé em Cristo.


b) Paulo e Barnabé


Relataram os sinais e milagres entre os gentios, mostrando que Deus aprovava a inclusão deles sem as obras da lei (At 15.12).

👉 Teologia missional: o Evangelho é poder de Deus para judeus e gentios (Rm 1.16).


c) Tiago


Recorreu às Escrituras (Am 9.11–12; Is 49.6) para demonstrar que os profetas já anunciavam a inclusão dos gentios no povo de Deus (At 15.13–18).

👉 Teologia bíblica: a Palavra confirma que a Igreja é o cumprimento das promessas messiânicas.


O equilíbrio entre experiência do Espírito e fundamentação bíblica foi decisivo. Assim, a Igreja discerniu a voz de Deus unindo prática, testemunho e Escritura.


4. A decisão final (At 15.22–29)


A resolução da Assembleia foi registrada e enviada em forma de carta às igrejas.


A salvação é pela graça, mediante a fé em Cristo, sem as obras da lei (Ef 2.8–9).


Não se exigiu a circuncisão nem a observância da lei mosaica.


Foram recomendadas quatro práticas (At 15.29) para preservar a comunhão entre judeus e gentios:


1. Abster-se das comidas sacrificadas a ídolos;

2. Abster-se da imoralidade sexual;

3. Não comer carne de animais estrangulados;

4. Não consumir sangue.


Essas restrições não eram requisitos de salvação, mas orientações prudenciais para evitar escândalos e preservar a unidade da Igreja.


5. O papel do Espírito Santo (At 15.28)


A decisão foi reconhecida como fruto da direção do Espírito Santo: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós...”


Isso mostra que o Espírito não é uma doutrina abstrata, mas pessoa ativa na condução da Igreja.


A presença de profetas (At 15.32) indica que a orientação vinha por meio dos dons espirituais, confirmados pela Escritura e pela unidade da liderança.


O modelo é claro: a Igreja deve ser submissa à Palavra e sensível ao Espírito.


6. Implicações teológicas e práticas


A Assembleia de Jerusalém estabeleceu princípios que permanecem atuais:


1. Contra o legalismo: não podemos adicionar exigências humanas à salvação.


2. Centralidade da graça: a salvação é obra exclusiva de Cristo, não resultado de méritos humanos.



3. Unidade na diversidade: a Igreja acolhe pessoas de todas as culturas, respeitando diferenças sem abrir mão da verdade.



4. Discernimento espiritual: experiências devem ser confirmadas pela Escritura.



5. Conciliação e diálogo: diante de conflitos doutrinários, a Igreja deve buscar soluções em colegiado, guiada pelo Espírito.



7. Conclusão


A Assembleia de Jerusalém foi um marco decisivo na história da Igreja. Diante de uma crise que poderia fragmentar a fé cristã, a liderança buscou a orientação do Espírito, fundamentou-se nas Escrituras e preservou a unidade do corpo de Cristo.


O resultado foi uma decisão bíblica, espiritual e pastoral, reafirmando a pureza do Evangelho e garantindo que a Igreja se mantivesse aberta a todas as nações.

quinta-feira, 17 de julho de 2025

O DÍZIMO NO ANTIGO E NOVO TESTAMENTO: UMA ANÁLISE BÍBLICA E TEOLÓGICA

✍ Por: José Roberto Alves da Silva

I. INTRODUÇÃO TEOLÓGICA

O dízimo, que significa “a décima parte” (hebraico: ma‘ăśēr; grego: dekátē), é um princípio que perpassa a história da revelação bíblica. Desde os patriarcas, passando pela Lei Mosaica, até o Novo Testamento, o dízimo assume diferentes funções: expressão de gratidão, manutenção do culto e símbolo de fidelidade a Deus.
Contudo, o Novo Testamento traz uma nova perspectiva, não anulando o princípio, mas o reinterpretando à luz da graça.

Tese:
👉 “O dízimo é um princípio divino instituído antes da Lei, regulamentado na Lei de Moisés e reinterpretado no Novo Testamento como expressão de generosidade e fidelidade voluntária, refletindo a graça e não a imposição legalista.”

II. O DÍZIMO NO ANTIGO TESTAMENTO

1. Antes da Lei (Princípio Patriarcal e Universal)

✅ Abraão – Dízimo como gratidão e reconhecimento da soberania de Deus

Gênesis 14:18-20 – Abraão deu o dízimo a Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo, antes mesmo da Lei.
👉 “E deu-lhe o dízimo de tudo.”
🔎 Análise: Abraão não deu por obrigação, mas por reconhecimento da vitória que Deus lhe concedera.


✅ Jacó – Voto voluntário de fidelidade

Gênesis 28:20-22 – Jacó prometeu dar o dízimo de tudo que Deus lhe concedesse.
👉 “E de tudo quanto me deres certamente te darei o dízimo.”
🔎 Análise: Um ato de fé e compromisso pessoal, e não um mandamento legal.

2. Na Lei Mosaica (Mandamento Teocrático e Cultual)

A Lei transformou o princípio em regulamento para sustento do culto e do sacerdócio levítico.

✅ Funções do Dízimo na Lei:

1. Sustento dos Levitas e sacerdotes – Números 18:21-24
👉 “Aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por herança, pelo serviço que prestam...”


2. Celebração e adoração a Deus (Dízimo das Festas) – Deuteronômio 14:22-27
👉 O dízimo era consumido em festividades religiosas em adoração a Deus.


3. Assistência aos pobres, órfãos e viúvas (Dízimo Trienal) – Deuteronômio 14:28-29



✅ Exortação Profética à Fidelidade:

Malaquias 3:8-10
👉 “Roubará o homem a Deus?... Trazei todos os dízimos à casa do tesouro...”
🔎 Análise: O profeta denuncia a infidelidade como roubo a Deus, destacando a bênção decorrente da fidelidade.

3. Características do Dízimo no Antigo Testamento

Obrigatório dentro da teocracia israelita.

Sustentava a adoração, o templo e os necessitados.

Era, acima de tudo, um ato de obediência e reverência a Deus.

III. O DÍZIMO NO NOVO TESTAMENTO

1. Jesus e o Dízimo

✅ Mateus 23:23 / Lucas 11:42
👉 “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois dais o dízimo da hortelã... e negligenciais o mais importante da lei...”
🔎 Análise: Jesus não condena o dízimo, mas critica a hipocrisia legalista, ensinando que justiça, misericórdia e fé são mais importantes.

✅ Hebreus 7:1-10
👉 O autor mostra que Abraão deu o dízimo a Melquisedeque, apontando para Cristo como Sacerdote eterno.
🔎 Análise: O dízimo é apresentado como um princípio que antecede a Lei e encontra cumprimento em Cristo.

2. A Igreja Primitiva e a Generosidade Voluntária

Embora o Novo Testamento não imponha o dízimo como lei, os crentes eram extremamente generosos.

✅ Atos 2:44-45; 4:34-35
👉 “Vendiam suas propriedades e bens e repartiam com todos, segundo a necessidade de cada um.”

✅ 2 Coríntios 9:6-7
👉 “Cada um contribua segundo propôs no coração; não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria.”

✅ 1 Coríntios 16:1-2
👉 Paulo orienta uma contribuição proporcional e regular, o que preserva o princípio do dízimo, mas sem a rigidez legal.

3. Princípios Neotestamentários de Contribuição

Voluntariedade e alegria – 2Co 9:7

Proporcionalidade e fidelidade – 1Co 16:2

Finalidade: sustento do ministério e dos necessitados – 1Tm 5:17-18; Gl 6:6

IV. TESE TEOLÓGICA

1. O dízimo não foi abolido, mas ressignificado na Nova Aliança: não como lei cerimonial, mas como princípio de gratidão e mordomia cristã.


2. A graça exige mais do que a Lei – quem foi salvo pela graça não deve dar menos do que um judeu dava sob a lei.


3. A Igreja não deve impor o dízimo como “imposto espiritual”, mas ensiná-lo como ato de adoração e fidelidade a Deus.

V. APLICAÇÕES PARA OS CRENTES HOJE

1. Reconheça que tudo pertence a Deus – Sl 24:1.


2. Seja fiel e regular em suas contribuições – 1Co 16:2.


3. Contribua com alegria, não por constrangimento – 2Co 9:7.


4. Lembre-se que dar é adoração – Fp 4:18 (“sacrifício agradável e aprazível a Deus”).

VI. CONCLUSÃO

O dízimo é um princípio eterno de mordomia, não um mero sistema de arrecadação. No Antigo Testamento, era lei nacional e religiosa; no Novo Testamento, torna-se expressão espontânea de amor e gratidão a Deus.
Quem vive pela graça deve ser ainda mais generoso do que aqueles que viviam sob a lei.

sexta-feira, 28 de março de 2025

Romanos 8 - Uma breve explicação.

Romanos 8 é um capítulo fundamental da Epístola aos Romanos, escrita pelo apóstolo Paulo. Aqui está uma explicação teológica sobre Romanos 8:

I. Introdução:
Romanos 8 é um capítulo que trata sobre a vida no Espírito Santo e a vitória sobre o pecado e a morte. Paulo apresenta a ideia de que os crentes em Cristo são libertos do poder do pecado e da morte e são chamados a viver uma vida de obediência ao Espírito Santo.

II. A Lei do Espírito da Vida (Romanos 8:1-4):
Paulo começa o capítulo afirmando que não há condenação para os que estão em Cristo Jesus (Romanos 8:1). Ele explica que a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus nos libertou da lei do pecado e da morte (Romanos 8:2). Paulo enfatiza que a lei não pode dar vida, mas que Deus enviou seu Filho para nos dar vida (Romanos 8:3-4).

III. A Mente Carnal e a Mente Espiritual (Romanos 8:5-8):
Paulo contrasta a mente carnal com a mente espiritual. A mente carnal é hostil a Deus e não pode agradá-lo (Romanos 8:7-8). Já a mente espiritual é aquela que está submetida ao Espírito Santo e é capaz de agradar a Deus (Romanos 8:5-6).

IV. A Vida no Espírito Santo (Romanos 8:9-11):
Paulo afirma que os crentes em Cristo não estão mais na carne, mas no Espírito (Romanos 8:9). Ele explica que o Espírito Santo habita em nós e nos dá vida (Romanos 8:10-11).

V. A Herança dos Filhos de Deus (Romanos 8:12-17):
Paulo apresenta a ideia de que os crentes em Cristo são filhos de Deus e têm uma herança eterna (Romanos 8:14-17). Ele explica que o Espírito Santo é o Espírito de adoção, que nos permite chamar a Deus de "Pai" (Romanos 8:15).

VI. A Glória Futura (Romanos 8:18-25):
Paulo afirma que a glória futura é muito maior do que as aflições presentes (Romanos 8:18). Ele explica que a criação está sujeita à corrupção, mas que será liberta quando os filhos de Deus forem revelados (Romanos 8:19-22).

VII. A Oração do Espírito Santo (Romanos 8:26-27):
Paulo afirma que o Espírito Santo ora por nós com gemidos inexprimíveis (Romanos 8:26). Ele explica que o Espírito Santo conhece a mente de Deus e ora segundo a vontade de Deus (Romanos 8:27).

VIII. A Vitória em Cristo (Romanos 8:28-39):
Paulo apresenta a ideia de que todos os acontecimentos trabalham juntos para o bem dos que amam a Deus (Romanos 8:28). Ele explica que Deus predestinou os crentes em Cristo para serem conformes à imagem de seu Filho (Romanos 8:29-30). Paulo conclui o capítulo afirmando que nada pode nos separar do amor de Cristo (Romanos 8:31-39).

Conclusão:
Romanos 8 é um capítulo que apresenta a ideia de que os crentes em Cristo são libertos do poder do pecado e da morte e são chamados a viver uma vida de obediência ao Espírito Santo. Paulo enfatiza a importância da vida no Espírito Santo e a vitória em Cristo.

O que é o Instituto Teológico Theopneustos.

O Instituto Teológico Theopneustos!

O Instituto de Teologia Theopneustos é uma instituição de ensino teológico que busca formar líderes e pastores para o ministério cristão. Aqui estão algumas informações sobre o instituto:

Missão:
A missão do Instituto de Teologia Theopneustos é formar líderes e pastores que sejam capacitados para proclamar a Palavra de Deus e edificar a igreja de Cristo.

Visão:
A visão do instituto é ser uma instituição de ensino teológico de excelência, que forme líderes e pastores que sejam comprometidos com a autoridade da Bíblia e com a grande comissão de Jesus Cristo.

Valores:
Os valores do Instituto de Teologia Theopneustos incluem:

- A autoridade da Bíblia como a Palavra inspirada de Deus
- A importância da formação teológica para o ministério cristão
- A necessidade de liderança e pastoreio eficazes na igreja de Cristo
- A importância da comunhão e do serviço na igreja de Cristo

Cursos:
O Instituto de Teologia Theopneustos oferece uma variedade de cursos, incluindo:

- Teologia Sistemática
- Exegese Bíblica
- História da Igreja
- Pastoreio e Liderança
- Missiologia

Certificações:
O instituto oferece certificações em diferentes níveis, incluindo:

- Certificado em Teologia
- Diploma em Teologia
- Grau de Bacharel em Teologia

Conclusão:
O Instituto de Teologia Theopneustos é uma instituição de ensino teológico que busca formar líderes e pastores para o ministério cristão. Com uma missão clara e valores sólidos, o instituto oferece uma variedade de cursos e certificações para ajudar os estudantes a alcançar seus objetivos. 
Em breve, estaremos atuando no ensino presencial e EAD e você será bem vindo ao nosso instituto e teremos prazer em te-lo como aluno.

quinta-feira, 27 de março de 2025

A multiplicação da maldade e o esfriamento do amor.

Comentário Devocional e Teológico sobre
 Mateus 24:12

> “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.” (Mateus 24:12 - NVI)

1. Contexto do Versículo

Mateus 24 faz parte do chamado “Sermão Profético” ou “Discurso do Monte das Oliveiras”. Jesus está respondendo à pergunta dos discípulos sobre os sinais da Sua vinda e do fim dos tempos (Mt 24:3). Ele descreve um cenário de tribulações, perseguições, enganos e apostasia generalizada.

2. A Multiplicação da Iniquidade

A palavra "iniquidade" aqui é traduzida do grego "anomia", que significa "sem lei" ou "rebelião contra a vontade de Deus". Refere-se a um afastamento deliberado da verdade, da justiça e do amor.

A multiplicação da iniquidade é visível:

Na decadência moral da sociedade

Na banalização do pecado

Na frieza espiritual mesmo dentro das igrejas

Na crescente injustiça social e corrupção

3. O Amor que Esfria

O termo grego para "amor" nesse versículo é "agape" — o amor incondicional, sacrificial, que vem de Deus e deve habitar no coração dos cristãos.

Jesus não está falando do amor do mundo, mas do amor de muitos que creem — muitos crentes perderão o fervor, se desiludirão, se fecharão emocional e espiritualmente diante da maldade ao redor.

É uma consequência espiritual: quanto mais se permite que a iniquidade influencie, menos espaço há para o amor verdadeiro.

4. Aplicações para os Nossos Dias

O esfriamento do amor pode ser visto no aumento da indiferença, da violência, da falta de empatia e até na apatia espiritual.

Muitos deixam de orar, de congregar, de servir e de amar como antes.

A fé se torna mecânica, sem paixão, sem misericórdia.

5. O Chamado de Jesus

Jesus nos alerta para permanecermos firmes:

> “Mas aquele que perseverar até o fim será salvo.” (Mt 24:13)

É um chamado à perseverança, vigilância e amor ativo. Devemos ser diferentes do mundo — sal da terra e luz do mundo (Mt 5:13-14)

Conclusão:

Mateus 24:12 é um espelho para os nossos tempos. Nos lembra que, mesmo cercados pela escuridão, devemos lutar contra o esfriamento do amor, reacender a chama da fé, e praticar o evangelho com compaixão, verdade e justiça.

> “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” (Romanos 12:21)

terça-feira, 25 de março de 2025

Theopneustos - o que significa?

"Theopneustos" (θεόπνευστος) é um termo grego que significa "inspirado por Deus" ou "soprado por Deus". Ele é usado para descrever a inspiração divina das Escrituras, especialmente na Bíblia.

Origem:
O termo "theopneustos" é usado pela primeira vez no Novo Testamento, em 2 Timóteo 3:16, onde Paulo escreve:

"Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para instruir na justiça."

Significado:
O termo "theopneustos" sugere que as Escrituras são inspiradas por Deus, ou seja, que elas são uma expressão da Sua vontade e do Seu caráter. Isso significa que as Escrituras são:

- Inspiradas por Deus: as Escrituras são uma expressão da mente e do coração de Deus.
- Úteis para ensinar: as Escrituras nos ensinam sobre Deus, sobre nós mesmos e sobre a Sua vontade para conosco.
- Úteis para repreender: as Escrituras nos repreendem quando nos desviamos do caminho certo.
- Úteis para corrigir: as Escrituras nos corrigem e nos ajudam a voltar ao caminho certo.
- Úteis para instruir na justiça: as Escrituras nos ensinam sobre a justiça de Deus e sobre como viver de acordo com a Sua vontade.

Implicações:
A inspiração divina das Escrituras tem várias implicações importantes:

- A autoridade das Escrituras: as Escrituras são uma expressão da autoridade de Deus e devem ser respeitadas e obedecidas.
- A confiabilidade das Escrituras: as Escrituras são confiáveis e podem ser confiadas como uma expressão da verdade de Deus.
- A importância da interpretação correta: é importante interpretar as Escrituras corretamente para entender a vontade de Deus e para viver de acordo com a Sua vontade.

sábado, 22 de março de 2025

A doutrina dispensacionalista!

A doutrina dispensacionalista é uma interpretação teológica da Bíblia que surgiu no século 19 e se tornou popular entre os evangélicos e fundamentalistas cristãos.

Principais características da doutrina dispensacionalista:
1. *Divisão da história em dispensações*: A doutrina dispensacionalista divide a história em diferentes dispensações ou períodos, cada um com características e propósitos específicos.
2. *Distinção entre Israel e a Igreja*: A doutrina dispensacionalista faz uma distinção clara entre Israel e a Igreja, considerando que Deus tem planos separados para cada um.
3. *Expectativa de um arrebatamento*: A doutrina dispensacionalista ensina que a Igreja será arrebatada antes do período de tribulação, que é um período de sete anos de sofrimento e juízo.
4. *Interpretação literal da profecia*: A doutrina dispensacionalista interpreta as profecias da Bíblia de forma literal, considerando que elas se referem a eventos futuros que ainda não ocorreram.

As sete dispensações da doutrina dispensacionalista:
1. *Inocência* (Gênesis 1-3): O período antes da queda do homem.
2. *Consciência* (Gênesis 4-8): O período após a queda do homem, antes do dilúvio.
3. *Governo humano* (Gênesis 9-11): O período após o dilúvio, antes da Torre de Babel.
4. *Promessa* (Gênesis 12-Exodo 18): O período da promessa feita a Abraão e a formação do povo de Israel.
5. *Lei* (Exodo 19-Ato dos Apóstolos 2): O período da Lei de Moisés e a formação da nação de Israel.
6. *Igreja* (Ato dos Apóstolos 2-até o presente): O período da Igreja, que começou no Pentecostes e continua até o presente.
7. *Milênio* (Apocalipse 20): O período do reinado de Cristo na terra, que durará mil anos.

A doutrina dispensacionalista é uma interpretação complexa e controversa da Bíblia, e existem muitas variações e debates dentro da comunidade cristã sobre sua validade e aplicação.

sexta-feira, 21 de março de 2025

Dar o dízimo é uma prática vinda dos apóstolos de Jesus segundo o Novo Testamento?

Não, dar o dízimo não é uma prática vinda dos apóstolos de Jesus segundo o Novo Testamento.

O dízimo é uma prática que vem do Antigo Testamento, especificamente da Lei de Moisés (Números 18:21-24, Deuteronômio 14:22-29). Era uma forma de os israelitas darem uma parte dos seus produtos agrícolas aos levitas, que eram os sacerdotes de Israel.

No Novo Testamento, não há nenhuma menção explícita de que os apóstolos de Jesus ou a igreja primitiva pratiquem o dízimo como uma obrigação. Em vez disso, o Novo Testamento enfatiza a importância de dar com generosidade e alegria, sem especificar um percentual ou uma forma específica de dar (2 Coríntios 9:6-7, 1 Coríntios 16:1-2).

Alguns versículos que são frequentemente citados para justificar o dízimo, como Mateus 23:23 e Lucas 11:42, são na verdade críticas de Jesus aos fariseus por sua hipocrisia e falta de justiça, e não uma recomendação para que os cristãos pratiquem o dízimo.

Portanto, embora o dízimo possa ser uma prática valiosa para alguns cristãos, não é uma prática que seja explicitamente ensinada ou recomendada pelos apóstolos de Jesus no Novo Testamento.

terça-feira, 18 de março de 2025

DÍZIMOS? – É UM MANDAMENTO PARA A IGREJA?

Uma visão bíblica e teológica sobre os dízimos, ainda estranho para muitos!

INTRODUÇÃO:

Texto: Ml 3.10 / II Co 9.7

Há muitas controvérsias em nossos dias com relação aos dízimos, pois muitos cristãos acham que é uma prática do Antigo Testamento direcionada ao povo israelita, e que a igreja de Cristo não está inserida nesta prática, pois a Bíblia não fala, principalmente no Novo testamento, que os cristãos fossem obrigados a contribuírem segundo a observância judaica. O dízimo é uma polêmica para muitos e para outros “uma porta para a prosperidade”. Em nossos dias muitos tem aproveitado este fator para o arrancarem de seus fieis e muitos assim tem feito baseado na reação psicológica, que eles mesmo pressionaram mediante palavras persuasivas. Por tanto, a causa da minha expressão com os dízimos, é tão somente tentar esclarecer alguns pontos duvidosos “dar ou não o dízimo á Igreja”? Veja neste estudo que preparei, a visão bíblica segundo o A.T e o N.T, e como tentarei explicar de forma bíblica este assunto por demais complexo, mas que compreensível sob uma ótica cristã-bíblico-teológica. Vejamos os pontos a serem esclarecidos.

1. O QUE É O DÍZIMO?

Segundo o Dicionário Bíblico de A a Z de Ítalo Fernando Brevi, DÍZIMO - Era a contribuição obrigatória, entregue ao santuário para sustentar os sacerdotes e levitas (Nm 18.21-32), os pobres, os órfãos e as viúvas (cf. Dt 14.22-29;) vem do grego: dekath “dekatê” que significa um décimo (forma feminina), i.e., como porcentagem ou técnico. Dízimo – décimo (fracionário), dízima, dízimo e do Hebraico “רשעמ" “ma´aser” e significa “dízimo, décima parte, pagamento de uma décima parte”. A contribuição referia-se à décima parte dos cereais, do vinho e do azeite (Lv 27.30). Mas segundo o nosso Dicionário Teológico, é definido como: “Oferta entregue voluntariamente á obra de Deus, constituindo-se da décima parte da renda do adorador (Ml 3.10).” Os fariseus pagavam o dízimo até dos produtos mais insignificantes, como as hortaliças, do endro e do cominho (Mt 23.23). Há em toda a Bíblia pelos menos 32 referencias sobre os dízimos.

1.1 - O DÍZIMO SEGUNDO A INTRODUÇÃO VETEROTESTAMENTÁRIA.

Na perspectiva bíblica veterotestamentária, o dízimo fora instituído por Deus através de Moisés, embora sendo uma prática dos antigos, de povos anteriores a Israel, de Ur dos Caldeus veio Abraão, e lá entre a parentela dele existia a prática: “...além dos atos do culto, os sacerdotes desempenhavam muitas outras funções. foras as oferendas, recebiam os dízimos e os impostos...”(E a Bíblia tinha razão...Werner Keller, pág. 27), veja a mesma realizada por Abraão. (Gn 14.20; 28.22; ). Em Moisés tornou-se uma obrigatoriedade, mediante as leis que o próprio Deus estabelecera para a nação israelita. Os israelitas, pagavam até 23,3 % de dízimo ao ano, segundo a Lei. Mediante a sagrada escritura, por ser o dízimo uma prática obrigatória de Deus á Israel, eles tinham que entregar a décima parte das crias dos animais domésticos, dos produtos da terra e de outras rendas como reconhecimento e gratidão pelas as bençãos divinas, enfim constituía-se uns 30% da renda dos israelitas, conforme: Dt 12.6 e visava a sustentabilidade do Tabernáculo, bem como os que ali realizavam a obra, que eram os sacerdotes e os levitas que se dedicavam no serviço do Tabernáculo (Nm 18.21; Dt 14.22-29), Pois na verdade, existiam três tipos de dízimos:
1. Os Dízimos eram dados para sustento dos levitas, e eram produtos da terra. (Lev. 27.30-33)
2.O Dizimo do produto da terra eram dado para patrocinar as festividades de Jerusalém, e quando eram de grande quantidades e pesado para levar, eram vendidos e levado a presença de Deus, e lá o dizimista comprava o que desejava a alma, até mesmo bebidas fortes e comiam e bebiam. (Deut. 14.22-27).
3. O dizimo do produto da terra eram arrecadados a cada três anos para os levitas locais, órfãos, viúvas e os pobres. (Deut. 14.28-29).
Quando algum israelita por necessidade retivesse o dízimo ou mesmo não entregasse, ele teria que devolver com o acréscimo de 20 % (Lv 27.31). Com o passar do tempo, devido a apostasia de Israel, essa prática fora sendo esquecida ou desprezada por parte dos hebreus, sendo que os que assim prestavam serviço no templo, já não se dedicava inteiramente a obra. Daí o profeta Malaquias com ousadia, conclama aos judeus para não desprezarem os mandamentos, conforme podemos ver no decorrer dos capítulos de seu livro, sendo que um dos assuntos que também relembra ao judeus, é que eles estavam roubando a Deus, nos dízimos e nas ofertas alçadas. (Ml 3.7-11). Malaquias é o último dos profetas, segundo o contexto histórico, as profecias evidencia a mesma época da restauração iniciada por Neemias e Esdras, o que dataria o livro cerca de 430 a.C.

1.2. O DÍZIMO SEGUNDO A VISÃO NEOTESTAMENTÁRIA.

Temos nos evangelhos, uma passagem em que Cristo repreende duramente os fariseus, devido a prática hipócrita que eles faziam em relação aos dízimos, (Mt 23.23; Lc 11.42) nesses versículos, Jesus relembra que eles deviam de fato cumprir a lei em seus pormenores, mas que não deixassem de praticar “...o juízo, a misericórdia e a fé...”, essa é uma única referencia em que vejo o Senhor mencionar sobre o “Dízimo”. Alguns fatos que devemos considerar porque Jesus e os seus apóstolos não fizeram outras menções ou que não ensinaram sobre este assunto, vejamos:

a) É compreensível mediante as escrituras, que sendo Jesus e os seus apóstolos judeus, não era necessário assim ensinar sobre os dízimos, pelo o fato de que todo judeu nativo e professo na religião judaica tinha como a obrigatoriedade a prática de todo os mandamentos. Eis aí o fato de Jesus elucidar o assunto de maneira corretiva aos fariseus. ( Mt 23.23).

b) A igreja inicialmente era judaica, e por tanto não houve nenhuma recomendação dada pelos os apóstolos sobre os dízimos quando precisou o sustento social da igreja.

c) O sistema que eles adquiriram para a arrecadação sustentável da igreja foi chamado de coletas, uma das causas para essa ação foi a conversão de gentios, dos quais em sua maioria pobres, viúvas e órfãos.
d) A igreja quando tornou-se mista, refiro-me á conversão dos gentios, houve um concílio em Jerusalém para tratar de como os gentios deveriam viver a fé em Cristo Jesus. Observemos que Pedro, o apóstolo que era indiferente aos gentios por terem eles recebido a graça de Cristo, apaziguou as contendas no concílio dizendo que não colocassem “...sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais, nem nós podemos suportar”, mas que os gentios eram salvos mediante tão somente a graça de Cristo (At 15.10,11).

e) Thiago ao presidir sobre a Igreja em Jerusalém, decidiu que os gentios persistissem em abster-se “das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da fornicação” e não fez nenhuma outra menção da Lei no que se refere aos dízimos (At 15.20,29).
A questão dos dízimos para a era da igreja surgiu na proposta de Cipriano no ano 300 d.C., ele foi o primeiro cristão a ensinar a prática de dizimar, como meio de assalariar o clero e os sacerdotes, baseando no sistema do sacerdócio levítico (Cypryan, Epistle 65.1; Beyond Tithing, p. 104). Percebemos que nos três primeiros séculos da igreja primitiva, esta jamais utilizou de tal prática, por que as razões mais aceitáveis são: 1. A igreja é um organismo e não uma organização, visto que os irmãos não construíam templos e as reuniões eram realizadas nas casas. 2. Não possuíam templos porque viviam em constantes perseguições por causa da nova fé. 3. Os que eram de origem judaica, ainda podiam orar nos templos judaicos. (Atos 3.1). 4. Depois, até mesmo o Templo de Jerusalém fora destruído pelos os romanos no ano 70 d.C., e quem levou a culpa? Foram os cristãos. 5. A concessão dos templos fora feita depois da conversão (suposta) do Imperador romano Constantino I em 313, onde o mesmo transformara os templos pagãos em cristãos. As razões mais claras, que os pregadores dizimistas alegam para a entrega dos dízimos, é o sustento da obra, que consiste em: Salario do obreiro integral: Pastores, Missionários e até em alguns casos “Ministros de louvores”, pagar conta de água, energia, programas em Tv´s, rádios, jornais e literaturas. Pouco se fala em ação social, e as vezes quando se faz, ainda pede aos membros fazer outra contribuição, ou senão, fazem com propósito de poderem pedir mais e mais ainda. 


2. COMO SUSTER OS QUE VIVEM DA OBRA DE DEUS? 
VEJAMOS ALGUMAS REFERÊNCIAS NO N.T:


Paulo escrevendo aos coríntios, ele lembra que “...na Lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca do boi que trilha o grão. Porventura, tem Deus cuidado dos bois?” (1 Co 9.9-13) dando a entender que a obra de Deus, assim como os que vivem nela, devem de fato viver dela, relembrando que os administradores do que era sagrado comiam do era entregue no templo, que os sacerdotes que estavam sempre junto ao altar participava do altar “os sacerdotes como suas famílias tinham direito a uma porção do que era sacrificado no altar” (Lv 7.31-36). Se os dízimos nos nossos dias fossem empregados como eram no A.T, talvez não trouxesse tantos desencontros e controvérsias entre o povo de Deus, o que temos encontrados nas páginas sagradas, é que os Levitas não possuíam heranças, apenas eles tinham cidades para morarem e campos onde seus gados ficassem, sendo portanto, que herança como as demais tribos não possuíam. Nos nossos dias, vemos homens esbanjando riquezas e prosperidades financeiras tudo a custo dos dízimos, homens que no inicio de seus ministérios não possuíam quase nada e ao passar dos anos vão enriquecendo. No Brasil, já houve vários escândalos envolvendo homens que se dizem “Homem de Deus” que cometeram vários tipos de corrupção, tudo em nome da boa vontade dos membros de suas igrejas.



2.1– HÁ NECESSIDADE DA CONTRIBUIÇÃO NO N.T?


Se a igreja agir de forma coerente em relação a prática de dízimos, pode até chegar num padrão e modelo da igreja primitiva. Esta deve apenas visar sem interesse algum, a salvação das almas perdidas e ajudar socialmente os crentes que se encontram em necessidades, As contribuições que averiguamos no Novo testamento eram de fatos para o sustento do povo de Deus, já que naqueles dias não existia um sistema previdenciário. A igreja em comunhão se compungia em ajudar os pobres necessitados, doentes, órfãos e as viúvas que Tiago afirma ser essa a prática da verdadeira religião ("A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo." (Tiago 1 : 27). A igreja assim assumiu esta responsabilidade social, o dízimo era a responsabilidade social de Israel suprir os levitas, as contribuições é responsabilidade da igreja.
a) Como foi falado, as igrejas primitivas faziam sistemas de coletas, justamente para amparar os necessitados. Também os cristãos que tinham condições financeiras em muitos casos vendiam as suas propriedades para ajudarem uns aos outros, expressando assim a espontaneidade e caridade aos demais servos de Cristo.
b) Haviam sempre em toda história de Israel, persistindo nos dias de Cristo e da igreja primitiva, muitos pobres necessitados, oprimidos, rejeitados, viúvas e órfãos sendo que muitos não mais se importava com eles. Por isso Jesus foi em busca destes excluídos, e esta prática amorosa foi passada para a igreja mediante a ação transformadora do Espirito Santo.
c) As contribuições não eram consideradas opcionais. Uma das exigências de Cristo para se entrar no seu reino eterno é mostrar-se generoso para com os irmãos e irmãs que passam fome e sede, e acham-se nus. (Mt 25.31-46), pois a obra de Deus precisa sim de contribuintes para seguir avante a palavra de Deus, tanto materialmente e espiritualmente saciar a fome e a sede dos perdidos e irmãos em Cristo.

2.2 – POR QUE A IGREJA CRISTÃ DEVE CONTRIBUIR?

Tenho plena consciência de que o aquilo que Paulo ensina sobre contribuições é o que mais se aplica para os crentes neotestamentário, pois em certos caso, devido a estipulação de porcentagem, tornou-se uma manipulação por parte de alguns lideres religiosos, estes nunca se apartaram do romanismo que sempre usou este meio para sustentar o império religioso romano. Sendo assim, me vejo a pensar que muitos apenas enxergam a causa materialista do que a espiritual, embora isso não está entre os cuidados que os apóstolos de Jesus exigiu dos crentes gentios lá em Jerusalém. É lamentável o ponto de vista de alguns... Espero que Jesus possa apresentar a mim outro ponto de vista. Amado de Deus, com certeza tudo que o cristão possui, não é dele, é de Deus, pois é Deus que o concede. Dar, pagar ou devolver são apenas palavras técnicas que criaram. O que eu quero dizer, é que a nossa dedicação a Deus não se baseia em porcentagens, somos apenas mordomos daquilo que Deus nos entregou. E quando se pensar em ministério de sacerdotes, deve-se lembrar que todos nós somos sacerdotes, não confunda com os dons ministeriais como: “pastores, bispos, reverendos, clero etc...”, me perdoe!!! Todos os cristãos da Nova Aliança são sacerdotes diante de Deus, por que "o véu que separava, já foi rasgado, quando Cristo morreu, a nossa condição de se aproximar a Deus foi dada através de Jesus. E se somos sacerdotes (baseando no sistema levítico), devemos dizimar mutuamente uns aos outros!!! Dizer que o dízimo é pra isso ou para aquilo, eu não sei! "O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens;"  (Atos 17 : 24), pois é o nosso corpo "o templo e morada do Espirito Santo" (I Coríntios 6.19). Se esperamos Cristo só nessa vida, a Bíblia fala "somos os mais miseráveis do mundo", além disso o que muito se vê por aí, é uma valorização de prosperidades materiais. A verdadeira prosperidade para o cristão é escatológica, onde o mesmo almeja no fim de todas as coisas os bens espirituais que Deus quer entregar a todos que assim o buscam. Outra vez afirmo: "Jesus não ensinou sobre o dízimo, por que inicialmente a igreja era judaica, até o ponto de os apóstolos acharem que a salvação se limitava ao judeus. Todo judeu aprende a Torá desde de criança, aprende a dar o dízimo desde a mais tenra idade. Em Atos dos Apóstolos no capitulo 15, no primeiro concilio, não encontramos os apóstolos ensinarem ou ordenarem tal mandamento, veja: "Por isso julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus. Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue. Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá. (Atos .19,20,28 e 29). É preciso interpretar o assunto, usando como base a Bíblia e não argumentos inventados, subterfúgios e pensamento furados sem ter a base da palavra de Deus. Devemos dominar o assunto com base em texto e contexto bíblico... Paulo nos diz: "Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria." (II Coríntios 9 : 7)
a) Considerando sobre a necessidade de contribuir,pode sim ser feito a contribuição, levando em conta o sustento da obra, visando alguns pontos favorável ao crescimento da igreja, como: a salvação das almas, o sustento daqueles que se entregam de corpo e alma, os que são enviados integralmente á levar as boas novas em lugares distantes, outros países, povos inalcançáveis. O que eu notifico aqui é a voluntariedade de contribuir, não sendo um peso e opressão por parte do cristão, mas Ele sinta a necessidade, a carência da obra de Deus se suster.
b) Embora sendo o dízimo uma obrigatoriedade judaica. A igreja é livre dessa prática, podendo usá-la de maneira espontânea. Não é pecado, pois o que contribui deve-se contribuir com alegria. Que segundo a ótica cristã, faz parte de sua mordomia.
c) Entender que tudo Deus nos concede, e que tudo pertence a Ele, por tanto um maneira de sermos gratos a Deus é restituindo o que temos, ajudando a sua obra. Pois muitos que se convertem que não provém de sustentabilidade, e na época da igreja primitiva existiam muitas viúvas e órfãos.

CONCLUSÃO.

Temos na Bíblia respostas concretas, e o dízimo segundo a percepção bíblica esta inserido cabalmente no contexto veterotestamentário como uma observância rígida e obrigatória ao povo de Israel, entendemos perfeitamente o uso dos dízimos. Já nos tempos de Jesus e seus apóstolos, continuava a mesma prática segundo o judaísmo. Mas no contexto da igreja, não dos cristãos judeus, mas os gentios, a prática das contribuições eram vistas de outro olhar, como sendo de forma livre e espontânea. Entendemos perfeitamente que o cristão terá compromisso em contribuir para a obra de Deus de forma satisfatória e plena se o mesmo entender sem opressão nenhuma ser grato a Deus por tudo que Ele nos concede, em todos os parâmetros da nossa vida. Mesmo tendo uma outra referencia em Hebreus 7, onde o texto trata justamente do dízimo que Abraão entregou ao Sacerdote-rei de Salém Melquisedeque. Neste contexto entendemos que a epístola fora escrita para uma comunidade de crentes hebreus, que uma vez o escritor explicara que o sacerdote Melquisedeque é um tipo da figura de Cristo. Aos cristãos gentios não fora prescrito algum mandamento, nem mesmo no concilio de Jerusalém, sendo claro que nós não estamos debaixo da observância da Lei, mas que vivemos segundo a graça de Cristo e nesta graça através do Espirito Santo somos espontaneamente tocados para contribuirmos em prol do crescimento da obra de Deus, auxiliando no serviço de manutenção dos templos e ajuda aos irmãos em Cristo Jesus. Vamos contribuir sem constrangimento e opressão.

OBRAS CONSULTADAS:

* Revista Lições Bíblicas “As disciplinas da Vida Cristã” 2º Trimestre de 2008, Lição 7 “Dízimos e Ofertas – Uma disciplina abençoadora, pág. 50. CPAD, 2008.
* Revista de Discipulado, CPAD.
* Dicionário Bíblico de A a Z.
* Dicionário Strong Hebraico/Grego da Bíblia de Estudo Palavras Chave – Hebraico e Grego, CPAD, 2011, pág. 2134, palavra 1181“dekatê” e pág. 1762, a palavra 4643. “ma´aser”.
* Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, pág. 1375,1376 – 1995.
* E a bíblia tinha razão – Werner Keller, pág. 27 3ª Edição, 3ª Impressão  – Julho de 2012, Ed. Melhoramentos.
* Cristianismo pagão - A Origem das Práticas de Nossa Igreja Moderna de Frank A. Viola, pág. 101, Dízimos e salários clericais, por Present Testimony Ministry, 2005, traduzido direto do inglês. Edição impressa em inglês.

"Estudo elaborado com constantes pesquisas bibliográficas, conforme dados acima. Visando o bem do conhecimento bíblico..." José Roberto Alves