quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Entendendo as causas da Reforma Protestante

Nicholas Needham




Algumas pessoas consideram a Reforma Protestante como uma restauração milagrosa do Cristianismo apostólico que Deus fez ocorrer na história diretamente do céu. Esse ponto de vista já dominou particularmente a mentalidade protestante americana. Contudo, essa visão foi desafiada de modo eficaz em meados do século dezenove por dois gigantes do pensamento histórico-teológico, John Williamson Nevin e Philip Schaff, do seminário Mercersburg, na Pensilvânia. Desde então, não houve retorno algum para a visão mais antiga. Embora seja verdade que Deus agiu poderosamente no século dezesseis, ele não o fez sem a história ou causas humanas (A propósito, a obra em oito volumes “A história da igreja cristã”, de Schaff, ainda é uma obra-prima digna da nossa afeição e atenção).

A influência do renascimento

Em muitos aspectos, a Reforma foi o lado espiritual do renascimento. Os pensadores renascentistas no século quinze reagiram contra grandes influências da cultura medieval, solicitando um retorno à cultura mais antiga e, criam, mais saudável encontrada nas clássicas Grécia e Roma. Seu moto bem conhecido era ad fontes – “às fontes”. Para alguns, isso incluía a rejeição de quase toda a teologia e espiritualidade medievais e o retorno às fontes originais do Cristianismo, ou seja, à Bíblia e aos pais da igreja primitiva. Os pais eram vistos como melhores intérpretes do evangelho do que os teólogos escolásticos medievais.
Esse retorno à Bíblia e aos pais foi mais poderosamente visto na vida e obra de Erasmo. Ele é bem conhecido por sua devoção acadêmica ao Novo Testamento grego, pelo qual ele avaliou e encontrou falha na Vulgata Latina, a Bíblia oficial da igreja medieval ocidental. (Os apóstolos escreveram o Novo Testamento em grego). A redescoberta renascentista do grego, juntamente com o ad fontes dirigido para as fontes do Cristianismo, resultou na edição impressa de Erasmo do Novo Testamento grego, em 1516. Essa foi uma ponte através da qual muitos estudantes foram guiados do renascimento para a Reforma. Vemos esse fato nas duas primeiras das noventa e cinco teses de Martinho Lutero:
Quando nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo disse: “Arrependei-vos”, ele quis dizer que toda a vida dos crentes deveria ser uma vida de arrependimento. A palavra não pode ser entendida como referindo-se ao sacramento da penitência — ou seja, confissão e satisfação — como administrado pelos sacerdotes.
Aqui, Lutero apela à palavra grega para “arrependimento”, a qual, devido à tradução da Vulgata latina poenitentiam agite, “fazer penitência”, anteriormente era entendida como referindo-se ao sacramento da penitência.
A devoção de Erasmo ao Novo Testamento grego é bem conhecida. É talvez menos conhecido que ele era quase tão dedicado, tanto nos caminhos eruditos quanto nos espirituais, aos pais da igreja primitiva. Ele editou e reimprimiu muitos escritos dos pais, convidando os leitores a encontrarem neles um Cristianismo mais puro do que o que estava disponível nas fontes medievais. O próprio modelo de Erasmo foi o grande Jerônimo: o erudito celibatário que consagrou os seus dons intelectuais para promover a causa da verdadeira fé.
O conhecimento maior e mais exato dos pais da igreja primitiva promovido por Erasmo levou muitos a questionarem o Cristianismo daquela época. O Cristianismo do século dezesseis era a fé que se expressara nos grandes credos da igreja, incluindo o Credo dos Apóstolos, o Credo Niceno e a Definição de Calcedônia?
Nessa defesa renascentista dos pais como os melhores intérpretes do evangelho, um pai em particular pareceu muito eminente: Agostinho. Em parte, isso foi simplesmente porque Agostinho se elevava sobre todos os outros pais na igreja ocidental devido à sua genialidade teológica, influência formativa e autoria prolífica. Porém, muitos encontraram alimento para as suas almas nos escritos devocionais e doutrinários de Agostinho. Martinho Lutero e Ulrico Zuínglio se tornaram discípulos de Agostinho de todo o coração, aderindo notavelmente à sua compreensão da soberania da graça divina. Uma geração depois, João Calvino disse que ficaria feliz em ter a sua fé expressa inteiramente de acordo com os ensinamentos de Agostinho. Aqui, então, há outra maneira muito específica em que a renascença fluiu para a Reforma. Ao criar um novo espaço para Agostinho, a renascença alimentou o “movimento de renovação” agostiniano que estava próximo do coração da Reforma.
Erasmo também alimentou o fogo da reforma. Seu desagrado com os desvios do catolicismo romano medieval, articulado frequentemente em sátiras devastadoras, ajudou a criar na mente das pessoas uma prontidão para remédios drásticos. Seu “Elogio da loucura” é geralmente considerado como o exemplo supremo de escritos de Erasmo nesse gênero. Para mim, muito mais cômico é o seu “Júlio excluído do céu”, no qual a alma do Papa Júlio II (1503-1513) chega às portas do céu, apenas para descobrir que São Pedro não o reconhece e nega-lhe a entrada, pelo que Júlio ameaça excomungar o apóstolo.
De modo mais positivo, Erasmo estabeleceu um programa de reforma para a sociedade, que envolvia a centralidade da educação, o conhecimento do grego, o estudo da Bíblia e uma espiritualidade que se concentrava na fé do coração, e não em um mero ritual exterior. Muitas vezes, descobrimos que os reformadores protestantes em toda a Europa estavam mergulhados nesses ideais erasmianos. Eles acrescentaram uma dimensão teológica que estava ausente no programa de Erasmo (como uma doutrina agostiniana da graça), mas os dois aspectos — erasmianismo e agostinianismo — provaram ser poderosamente compatíveis. Em alguns casos, podemos até mesmo detectar a influência direta dos ideais e escritos positivos de Erasmo ao estabelecer alguém no caminho reformista, especialmente Zuínglio, que sempre alegou que devia a sua conversão a um poema religioso de Erasmo:
Em 1514 ou 1515, eu li um poema sobre o Senhor Jesus, escrito pelo profundamente erudito Erasmo de Roterdã, no qual com diversas palavras muito belas Jesus se queixa que as pessoas não buscam todas as bênçãos nele, de modo que seja para eles uma fonte de toda bênção, um Salvador, um consolo, um tesouro da alma. Então, eu pensei: “Bem, se isso é verdade, por que então devemos buscar ajuda em qualquer ser criado?”

A imprensa

Tão importante para a Reforma quanto o renascimento foi a nova e revolucionária maneira de disseminar informação pela prensa de tipo móvel. Talvez uma das razões básicas pelas quais os movimentos anteriores de reforma evangélica não captaram a mente pública (como os valdenses, lolardos e hussitas) foi que eles entraram em cena antes que a imprensa fosse inventada.
Numa Europa dominada pelo sistema católico romano, a difusão intelectual de novas ideias “não oficiais” era muito mais difícil antes da introdução da prensa de tipo móvel.
A invenção da prensa de tipo móvel foi a revolução da informação do final da Idade Média. Johannes Gutenberg de Mainz, Alemanha, foi o grande pioneiro na década de 1450. Em 1500, mais de duzentas prensas estavam produzindo livros em toda a Europa. Estavam distantes os dias em que os escribas (geralmente monges) precisavam copiar obras literárias à mão. Pela primeira vez, um editor poderia fazer milhares de cópias de um livro de modo fácil e rápido, e colocá-las em grande circulação. Isso significava que as ideias poderiam se disseminar muito mais velozmente do que antes. Significava também que a capacidade de ler se tornava mais valorizada.
Como resultado, as ideias reformadoras do renascimento puderam se espalhar pela Europa com relativa facilidade, e em seu rastro, as ideias ainda mais radicalmente reformadoras de Lutero, Zuínglio e outros. Podemos dizer que a impressa permitiu que a Reforma “se tornasse viral” de uma maneira que simplesmente não seria possível em uma época anterior. A nova tecnologia da informação se tornou um dom de Deus para o seu povo.
Podemos discernir a sintonia entre a revolução gráfica e a propagação da Reforma em um único fato: foram as cidades e universidades que primeiramente abraçaram a Reforma. Na Inglaterra, por exemplo, Londres tornou-se rapidamente o berço nacional do protestantismo. Lá estavam as grandes imprensas. Lá também havia um porto próspero onde os navios mercantes podiam trazer literatura protestante da Europa Continental.
Percebemos um fenômeno semelhante se considerarmos a Suíça do século dezesseis. A Confederação Suíça era composta por treze estados-membros, chamados de cantões. Quatro desses eram cantões urbanos: Zurique, Basileia, Berna e Schaffhausen. Os outros nove eram cantões agrícolas compostos por fazendas e vilarejos, dominados por cinco cantões florestais centrais. É um mero acidente da história que a Reforma foi vitoriosa em todos os quatro cantões urbanos, enquanto os cantões florestais permaneceram como fortalezas do catolicismo romano? As cidades, com seus centros de ensino superior e suas indústrias gráficas, eram os lugares ideais para o pensamento da Reforma ser disseminado.
De forma semelhante, na Alemanha, a maioria das cidades imperiais livres (cidades auto-governadas sem maior fidelidade senão ao santo imperador romano) se tornou protestante. Essa não foi uma mudança política superficial, como o imperador Carlos V descobriu a seu custo quando tentou reimpor o catolicismo nas cidades pela força armada no fim dos anos 1540. O povo das cidades alemãs permaneceu desafiadoramente protestante. A espada poderia conquistar seus territórios, mas não as suas almas. Carlos finalmente teve que admitir a derrota e se retirar.

Reformadores menos conhecidos

Devemos também colocar Lutero e Zuínglio no seu contexto como figuras notáveis, mas não isoladas da Reforma Protestante. Lutero seria apenas metade do homem que foi sem Filipe Melanchthon. Foi Melanchthon, e não Lutero, quem proveu os conhecimentos linguísticos da Reforma alemã. Seu conhecimento do grego era um fenômeno, e pode muito bem ter sido Melanchthon quem primeiro viu e insistiu que, no Novo Testamento, a palavra grega para “justificar” significa “declarar justo”, em um sentido judicial, em vez de “tornar justo”, em um sentido de santificação. Essa tornou-se a pedra angular da doutrina da justificação pela fé. Foi certamente Melanchthon quem escreveu a Confissão de Augsburgo, que se tornou o padrão internacional luterano de doutrina. Lutero era bem consciente da sua dívida com Melanchton como seu cooperador mais íntimo:
Eu sou rude, turbulento e tempestuoso, nascido para lutar contra exércitos de demônios e bestas. Meu trabalho é arrancar tocos e pedras, cortar cardos e espinhos, limpar florestas selvagens. Depois, vem o Mestre Filipe, gentil e suavemente, semeando e regando com alegria, de acordo com os dons que Deus tão amplamente lhe concedeu.
Outros cooperadores de Lutero incluíam Johannes Bugenhagen, que desempenhou um papel fundamental na reforma da igreja na Dinamarca; Justus Jonas, que deixou sua marca como um escritor de hinos; Nicolaus von Amsdorf, um teólogo escolástico profissional que abraçou a Reforma; e vários outros bem conhecidos em seu próprio tempo, embora eclipsados agora na sombra de Lutero. Grande como ele era, Martinho Lutero não estava sozinho.
Nem Zuínglio. Ele foi habilmente assistido por homens como Leo Jud, Oswald Myconius e Johannes Oecolampadius. Após a morte precoce de Zuínglio em 1531, ele foi sucedido pelo brilhante Heinrich Bullinger, que se tornou o “grande velho” da Reforma, morrendo em 1575.
Outras partes da Europa tiveram os seus próprios grandes reformadores. Martin Bucer em Estrasburgo (agora na França, mas na época na Alemanha) tentou combinar o que havia de melhor na Reforma de Lutero com o que era melhor em Zuínglio. O resultado provou ser altamente atraente para um certo jovem francês chamado João Calvino que, como reformador de segunda geração, foi um discípulo de Bucer. Hoje, podemos discutir quem é um calvinista genuíno, mas o próprio Calvino não era nada, senão um verdadeiro buceriano.
Na Dinamarca, temos Hans Tausen, o “Lutero dinamarquês”, cuja pregação difundiu o evangelho como um incêndio de 1524 em diante. Na Suécia, os irmãos Olaf e Lars Petersson tiveram um ministério evangelístico igualmente impactante. Na Inglaterra, William Tyndale imprimiu a sua tradução inglesa do Novo Testamento em 1525; nem a religião inglesa nem a língua inglesa voltaram a ser iguais.
E assim poderíamos continuar. Lutero e Zuínglio podem ter liderado o caminho, mas eles não estavam sozinhos. Diante da face da Europa católica romana, inspirada pelos ideais de Erasmo e pela teologia de Agostinho, toda uma geração se separou das corrupções de uma igreja que havia se desviado. Não seria ruim investir algum tempo e energia em descobrir esses reformadores menos conhecidos.

Reformas múltiplas

Os historiadores modernos também enfatizam com razão que a Reforma Protestante foi apenas uma das reformas experimentadas pelas pessoas do século dezesseis. O contexto maior nos obriga a considerar também a Reforma Radical e a Contra-Reforma católica romana. Os reformadores radicais eram uma multidão muito diversa; atualmente eles são comumente divididos em anabatistas, racionalistas e espiritualistas, enquanto alguns historiadores acrescentam os milenaristas apocalípticos. Muitos começaram como seguidores de Lutero e Zuínglio, mas depois se separaram e seguiram o seu próprio curso.
Em meio às suas diversidades, os reformadores radicais concordavam quanto à rejeição da visão protestante da Escritura e da justificação somente pela fé. O mais duradouro dos grupos anabatistas evangélicos, os menonitas, tinha um entendimento católico romano sobre o cânon das Escrituras (aceitando os apócrifos). Todos os reformadores radicais repudiaram o batismo infantil, mas não tiveram acordo sobre o que colocar em seu lugar (batismo de crentes? Batismo do Espírito?). Qualquer ligação entre a igreja e o Estado, por mais tênue que fosse, eles também repudiaram, sendo talvez um ponto que a maioria dos protestantes modernos reforçam.
A Contra-Reforma foi a reforma interna empreendida pela igreja romana, em parte em resposta à Reforma Protestante. Algumas das correntes da reforma dentro de Roma foram (de um ponto de vista protestante) muito positivas, notadamente o movimento evangélico católico, que abraçou a justificação pela fé. No entanto, o que finalmente emergiu foi uma igreja romana solidificada em uma postura militante anti-protestantismo. Teologicamente, isso ocorreu através do Concílio de Trento, onde, por um período de vinte anos, a doutrina romana foi codificada com uma nova precisão e clareza anti-protestante. Em um nível mais popular, essa hostilidade militante à Reforma Protestante foi defendida com um vigor sem limites pela nova ordem monástica conhecida como a Companhia de Jesus, ou jesuítas.
No momento em que a poeira baixou, a Europa se viu dividida ao meio por linhas religiosas, com (aproximadamente) um norte protestante enfrentando um sul católico romano. Radicais, espalhados nos dois lados da divisão, foram perseguidos onde quer que vivessem. Cento e cinquenta anos de “guerra fria” religiosa se estendiam, às vezes culminando em devastadores conflitos militares que arrasaram o solo da Europa e o encharcaram de sangue. Pelo menos na Grã-Bretanha, a causa do protestantismo tornou-se aliada à causa do governo constitucional, com efeitos de longo alcance sobre o futuro da América.
Assim, um estudo adequado da Reforma mostra-nos que, longe de ser um inexplicável raio vindo do céu, foi em todos os pontos imersa na história de sua época. A Reforma teve raízes e antecedentes; teve canais de influência identificáveis; e tornou-se profundamente entrelaçada com a política e a cultura de seu próprio tempo singular (agora quinhentos anos distante de nós). Se me permitem, em conclusão, ouso citar algo que eu disse uma vez:
De muitas formas, os reformadores protestantes foram profundamente pessoas de seus próprios tempos, como somos do nosso. Não devemos esperar a perfeição deles, não mais do que uma geração futura descobrirá a perfeição em nós. Certamente descobriremos, contudo, ao imergirmos na era da Reforma, que (como Hollywood costuma reivindicar em seu status) “toda a vida está aqui”. Também podemos descobrir que essa vida — tão revigorante, tempestuosa e ousada — tem muito a nos oferecer hoje, em nossa própria comparativa exaustão e superficialidade.

Tradução: Camila Rebeca Teixeira
Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

sábado, 29 de julho de 2017

Tendo muito pouco e ainda assim sendo rico!

Esboços e Ilustrações: Tendo muito pouco e ainda sendo rico
Muitas vezes reclamamos daquilo que temos. Sempre parece muito pouco, sempre achamos que não é suficiente. Mas será que é tão pouco assim o que temos?

SE VOCÊ TEM…
Comida na geladeira;
Roupas no armário;
Um telhado sobre sua cabeça;
Um lugar para dormir;
Então você é mais rico que 75% da população mundial.

Se você tem algum dinheiro no banco e um pouco na carteira, está entre os 8% mais ricos do mundo, isto é, 92% da população do mundo vive com muito, mais muito menos que você!
Se nunca experimentou o perigo de uma batalha, a solidão de um cativeiro, a agonia da tortura ou a dor da fome, está à frente de mais de 1 bilhão de outras pessoas no mundo.
Se você frequenta uma igreja sem medo de ser importunado, preso, torturado ou morto, é mais ‘abençoado’ que 3 bilhões de pessoas no mundo.
Esses são só exemplos! Temos muito mais ainda do que isso acrescentado em nossa conta!
Saber disso não deve criar em nós um sentimento de culpa, mas de gratidão a Deus por Ele ter nos permitido estar em uma situação privilegiada. Porém, é preciso nos sentir incomodados. A culpa deve ser a de ignorarmos os homens, mulheres e crianças deste mundo que não têm o que temos. A culpa é a de, muitas vezes, não fazermos nada por quem precisa mesmo tendo alguns recursos em mãos…
Se essa “culpa” boa está existindo é sinal algo está começando a se movimentar em nossa alma enquanto pensamos nisso.

Fonte: EJesus 

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Desmascarando os efeitos do pecado

Trecho extraído do livro: D. M. Lloyd Jones, Estudos no Sermão do Monte


Os versículos 5 a 8 de Mateus 6 encontramos o segundo exemplo utilizado por nosso Senhor com o fim de ilustrar o Seu ensino acerca da piedade ou da conduta na nossa vida religiosa. Conforme já vimos, isso constituiu o tema que Ele considerou nos dezoito primeiros versículos desse capítulo. Disse Jesus, em termos gerais: “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste”. Aqui está Sua segunda ilustração sobre esse particular. Após a questão da doação de esmolas, aparece a questão inteira das orações feitas a Deus, bem como de nossa comunhão e companheirismo com Ele. E, uma vez mais, descobrimos aqui que aquela mesma característica geral que nosso Senhor já havia descrito, mui infelizmente se evidencia novamente. Algumas vezes tenho pensado que esta porção das Escrituras é uma das mais perscrutadoras e humilhadoras da Bíblia inteira. Não obstante, podemos ler esses versículos de tal maneira que perdemos inteiramente de vista a sua significação e seu ensino, embora certamente não seja por isso que ficaremos sujeitos à condenação. Ao lermos essa passagem a nossa tendência é sempre considerarmos a mesma como uma censura dirigida contra os fariseus, uma denúncia contra aqueles que eram obviamente hipócritas. Quando a lemos, pensamos no tipo de indivíduo que se exibe, que chama a atenção de outros para si próprio, conforme faziam os fariseus quanto a esse particular. Por conseguinte, consideramos o trecho apenas como um desmascaramento daquela flagrante hipocrisia, mas que não tem vinculação alguma conosco. Porém, isso é perder de vista toda a significação desse ensino de Jesus, a saber, o desmascaramento devastador dos terríveis efeitos do pecado sobre a alma humana, e, especialmente, o pecado na forma de egoísmo e orgulho. Nisso consiste o ensino de Cristo Jesus.
O pecado, conforme Jesus nos mostra aqui, é algo que nos acompanha por todo o caminho que percorremos, chegando até à presença mesma de Deus. O pecado não é apenas um monstro que tenda por assediar-nos e afligir-nos quando estamos distanciados de Deus, quando estamos na “terra distante”, por assim dizer. Se quisermos acreditar na exposição feita por nosso Senhor, o pecado é algo tão terrível que, conforme o Senhor o desmascarou, não somente nos seguirá até às portas do céu, mas também – se isso fosse possível – até ao próprio céu. De fato, não é esse o ensino escriturístico acerca da origem do pecado? O pecado não teve começo nesta terra. Antes mesmo do homem haver caído já houvera uma outra queda. Satanás havia sido um ser angelical perfeito e resplandecente, que habitava nos lugares celestiais; todavia, Lúcifer caiu em pecado, antes que o homem caísse. Essa é a essência do ensino de nosso Senhor, nestes versículos. Trata-se de horrenda exposição da horrível natureza do pecado. Coisa alguma é tão enganadora quanto a noção de que o pecado só existe em termos de ações, pois enquanto imaginarmos o pecado somente em termos de erros realmente praticados, haveremos de falhar na justa compreensão do mesmo. A essência do ensino bíblico a respeito do pecado é que, no âmago, trata-se de uma disposição. Assim sendo, o pecado é um estado do coração. Suponho que podemos fazer o sumário do pecado asseverando que ele, em última análise, consiste em autoadoração e em autoadulação; e nosso Senhor mostra-nos que essa nossa tendência para a autoadulação (o que para mim parece algo de alarmante e aterrorizante) é algo que nos acompanha até à própria presença de Deus. Algumas vezes produz o resultado aqui aludido, isto é, que mesmo quando procuramos persuadir-nos de que estamos adorando a Deus, na realidade estamos adorando a nós mesmos, e nada mais.
Esse é o tremendo alcance do ensino de Jesus, neste ponto. Aquele erro terrível, denominado pecado, que veio fazer parte de nossa natureza e constituição, como seres humanos que somos, é algo de tal maneira poluente de todo o nosso ser que, quando o homem está engajado em sua mais exaltada forma de atividade, ainda assim é mister que ele combata contra tal inclinação pervertida. Muitos têm concordado que o mais elevado quadro do homem que jamais se pôde retratar, conforme também penso, é vê-lo de joelhos, esperando em Deus. A oração é a mais elevada realização do ser humano, é a sua mais nobre atitude. Nunca o homem se mostra tão grande como quando entra em comunhão e contato com Deus. Ora, de acordo com nosso Senhor, o pecado é algo que nos tem afetado tão profundamente que mesmo ao atingirmos aquelas elevações espirituais ele continua conosco, atacando-nos por todos os lados. De fato, certamente cumpre-nos concordar que, com base na doutrina neotestamentária, é somente quando chegamos a compreender a realidade por esse prisma que começamos a entender, realmente, o pecado.
Tendemos por pensar no pecado conforme o vemos nos molambos e nas sarjetas da vida. Contemplamos um beberrão, um pobre sujeito, e pomo-nos a pensar: “Eis aí o pecado; nisso consiste o pecado”. Não obstante, não encontramos aí a essência do pecado. Para nos defrontarmos com um quadro verdadeiro do pecado, e obtermos autêntica compreensão sobre o mesmo, é necessário que contemplemos algum grande santo, algum homem extraordinariamente devoto e piedoso. Contemplemo-lo ali, ajoelhado, na presença do Senhor. Sem embargo, até mesmo ali o pecado está fazendo papel de intruso, tentando-o a pensar sobre si mesmo, a pensar agradável e prazenteiramente sobre si mesmo, a realmente adorar-se, ao invés de adorar a Deus. Esse quadro, e não aquele primeiro, é que retrata fielmente o pecado. Naturalmente, aquele primeiro quadro também retrata o pecado, mas ali não o vemos em seu zênite, ou em sua essência. Ou, dizendo-o de outra maneira, se alguém realmente quiser compreender algo mais sobre a natureza de Satanás e de suas atividades, o que se faz necessário não é que vá rebuscá-las nos farrapos e nas valetas da vida. Sim, se você realmente quiser saber mais acerca de Satanás, vá até aquele lugar desértico onde nosso Senhor passou quarenta dias e quarenta noites. Ali encontramos um retrato verdadeiro do diabo, enquanto submetia a tentações o próprio Filho de Deus.
 Tudo isso é destacado nesta declaração. O pecado é algo que nos segue até à própria presença de Deus


quinta-feira, 29 de junho de 2017

EVANGELISMO – A MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA..

Texto: Atos 1.8/ Mc 16.

INTRODUÇÃO.

Evangelismo é o ato de levar o Evangelho (grego: euuangelion) a outras pessoas, este vocábulo é encontrado 76 vezes no Novo Testamento, e só aparece no singular; O Senhor Jesus Cristo é o conteúdo do evangelho: sua Vinda, seu ministério terreno, morte e ressurreição (Rm 1.1-7). É a anunciação de como Deus “amou o mundo de tal maneira, que ofereceu seu Filho Unigênito” (João 3.16). Evangelizar é pregar o evangelho (Mc 16.15), é pescar almas (Mt 4.19), é procurar os perdidos (Lc 15), é livrar as vidas da morte (Pv 24.11), é cuidar das almas (Sl 142.4).

1. PORQUE DEVEMOS EVANGELIZAR?

Devido a desobediência do homem que caiu em transgressão, Deus sentiu a necessidade de resgatá-lo, não que Ele tivesse uma necessidade como o homem ou que sentisse obrigado a fazer-lo. Mas Ele sentiu o desejo de resgatar a obra das suas mãos. O pecado tem cegado o entendimento claro do homem, tornando-o corrupto em relação ao seu Criador. (Rm 3.23). Eis algumas razões de evangelizar:
1.1- Deus nos evangelizou.
A verdade, é que desde da queda da humanidade, Deus na sua infinita misericórdia criou meios para falar á humanidade, o salmista disse: “os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”. (Sl 19.1). É Deus mostrando o seu grande amor por nós, além das obras que foram criadas por Deus, Ele utilizou-se de homem fieis, os seus servos para falar sobre tão grande obra de salvação, mesmo que em muitas vezes no inicio não abrangesse a todos, mas conseguiria assim cumprir através do sacrifício de seu Único Filho. Veja onde essa obra foi anunciada: Em Abraão ...”serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3),
em Moisés ...”suscitarei um profeta no meio de vós...” (Dt. 18.18), em Isaías ...”uma virgem dará á luz um filho e será seu nome EMANUEL...” (Is 7.14), “...por que um menino nos nasceu...” (Is 9.6), “O Espírito do Senhor está sobre mim...para apregoar o ano aceitável do senhor...” (Is 61.1,2). É Jesus a boa notícia, as boas novas de salvação para o homem, enviada por Deus. Veja a anunciação do anjo aos pastores:

“Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor”.(Lc 2.10)

1.2 – Evangelizar é uma ordem de Jesus Cristo. (Mt 28.19)
Em Mateus, é apresentado o imperativo evangelístico de Cristo á sua igreja, com quatro determinações verbais:
a) IR – No sentido de mover-se ao encontro das pessoas, afim de comunicar a mensagem salvífica do evangelho.
b) FAZER DISCÍPULOS – Com o sentido de “estar com” as pessoas e torná-las seguidoras de Cristo.
c) BATIZAR – É o ato físico que confirma o novo convertido pela a sua confissão pública de que Jesus Cristo é o seu Salvador e Senhor.
d) ENSINAR – As doutrinas da Bíblia, com o objetivo de aperfeiçoar e preparar o discípulo para a sua jornada na vida cristã.

A “Grande Comissão” repetida cinco vezes nos evangelhos e em Atos dos Apóstolos (Mt 28.18-20; Mc 16.15; Lc 24.47; At 1.8), é o verdadeiro alvo do Novo Testamento. Por tanto o “ide” de Jesus é uma obrigação ...”me é imposta esta obrigação, e ai de mim, se não anunciar o Evangelho”. (I Co 9.16), por isso aquele que crê em Jesus deve cumprir as suas ordens (pregar e fazer discípulos). Essa tão sublime tarefa não foi dada aos anjos, mas aos crentes em Cristo Jesus. Um bom cristão não pode se eximir desta tão grande missão.

2. QUANDO DEVEMOS EVANGELIZAR?

Cristo ordenou aos seus discípulos antes de subir á glória, que quando recebessem a promessa do Consolador, saíssem a testemunhar “...em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra”. (At 1.8b) e assim a igreja de Jerusalém saiu a proclamar o Evangelho, que de inicio levaram aos judeus e por fim através de Paulo aos confins das terras existente naqueles dias, ou seja, aos gentios e este evangelho nos alcançou. “Não temas, mas fala, e não te cales;” (At 18.9), foi a ordem que Paulo recebeu para pregar o evangelho em Corinto. “Não temas” com a força do texto grego é “não tenha medo” e a seguir “fala,e não te cales” ou seja “não fique em silêncio” Esta expressão idiomática em que há uma afirmação e uma negação, acrescenta certa solenidade à ordem. é a mesma ordem de Deus para nós, não devemos temer as causas, os efeitos, as consequências que virá por causa da pregação da palavra, mas devemos seguir avantes com propósitos e amor pelas as almas perdidas, se não:

“...Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas”. (Rm 10.14,15)

2.1 – O tempo de Deus é “agora”.(At 17.30)
“..eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação” (2 Co 6.2). Por que agora? Agora estamos vivos. Não sabemos quando seremos recolhidos pelo o Senhor. Devemos fazer a obra de Deus “enquanto é dia, a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (Jo 9.4). Hoje em nosso país, temos plena liberdade para pregarmos o evangelho em todos os lugares. Entretanto, pode ser que no futuro, nossa liberdade religiosa seja restringida ou caçada e fiquemos impossibilitados de pregar o evangelho. Devemos evangelizar todos os dias, aproveitando as oportunidades. A Bíblia recomenda que preguemos a Palavra “a tempo e fora de tempo” (2 Tm 4.2).

3. COMO DEVEMOS EVANGELIZAR?

Nem sempre podemos fazer cultos públicos em qualquer lugar, mas podemos fazer o evangelismo pessoal. Aliás esse é método mais prático e eficiente de levar a mensagem de Cristo com mais precisão, momento propício de falar minuciosamente e paulatinamente sobre o amor de Deus.
3.1 - Há bastante oportunidades para falar do amor de Cristo, veja algumas:
a) Nos cultos. Sempre existem pessoas nãos cristãs que visitam as igrejas, e as vezes não se sentem convencidas ou despertadas por um sermão que é pregado no púlpito, embora seja esse um meio de pregar a palavra, mas existem pessoas que quando ouvem minuciosamente a palavra de Deus se convertem, pois é que elas conseguem entender-la melhor. Por isso podemos conversar com elas após os cultos ou durante, levando aquela palavra sincera. Muitos tem temores e dúvidas internas, precisando apenas de uma palavra de encorajamento.
b) Nos lares – A evangelização não se limita á quatro paredes de um Templo, mas a ação de evangelizar é como se fosse o “trabalho de semeadura” que o lavrador faz sobre a terra. “ o campo é o mundo” (Mt 13.38) e o mundo começa a nossa porta, no nosso próprio lar (Mc 5.19). Os cristãos primitivos evangelizavam de casa em casa (At 20.20). Muitas igrejas que hoje são grandes, começaram em casas particulares. (Veja a História da Assembleia de Deus).
c) Nos trabalhos – Jesus chamou seus discípulos, quando eles estavam ocupados em seus trabalhos habituais (Mc 1.16-19; Mt 9.9). Nem sempre podemos está falando da palavra no momento em que estamos trabalhando, mas podemos testemunhar por nossas vidas aos ímpios, e o nosso testemunho expressa o amor de Cristo.
d) Nos transportes – Nos ônibus, trens, metrôs ou outros meios de transportes, onde normalmente as pessoas mesmo ocupadas, sempre ouvem e devem ouvir a palavra de Deus. E quando não podemos falar com ninguém, podemos entregar um folheto apropriado.
e) Enfim em todos os lugares – Podemos pregar a palavra em todos os lugares, nos hospitais, penitenciárias e outra instituições publicas, nessas circunstâncias é preciso obter autorização para realizar o trabalho que se pretende. Há pessoas que quando estão com saúde, ou em plena liberdade jamais ouviriam o evangelho, mas nessas circunstâncias costumam ouvir de boamente. Lembre-se seu objetivo é anunciar o Evangelho de Cristo. O convite da salvação destina-se a todas as pessoas em todos os lugares independente de cor, credo, religião, raça, cultura e posição social.

3.2 – O que não devemos fazer, quando estivermos evangelizando.
a) Nunca levar alimentos, quando sairmos em coletivo para levar a mensagem de casa em casa. Não mascar chicletes ou balas, para que não tire a atenção das pessoas ...” Não leveis bolsa, nem alforje, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho”. (Lc 10.4), a pregação da palavra deve ter objetivos.
b) Ser educado sempre quando visitar ou chegar na casa de alguém, saudando conforme o costume, levando a Paz de Cristo àquele lar, se porém não forem recebidos como normalmente se espera “...E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós” (Lc 10.6). Seguir avante...
c) Evitar discussões que giram em torno de assuntos doutrinários, dogmas ou algum outro aspecto religioso, que não levam em nada, mas as vezes faz com as pessoas se afastem mais ainda do evangelho.(2 Tm 2.23), o nosso dever é plantar a semente e Deus faz a obra (I Co 3.6,7), o Espirito Santo é quem convence o homem de seu pecado. (Jo 16.8). Jamais ataque a religião alheia, é motivo para brigas e rixas, a nossa meta é anunciar a Cristo e Este crucificado. (I Co 2.2)

4 . REQUISITOS BÁSICOS PARA EVANGELIZAR.

Como uma pessoa que foi transformada pelo o Espírito de Deus, e agora vive em Cristo, e que sente e ouve o “ide” imperativo do Mestre, precisa utilizar e ter experiencia da salvação. (2 Tm 1.12). Veja alguns requisitos para podermos com eficiência levar a palavra de Deus:
a) Ler e estudar as escrituras diariamente – Paulo deu ordens á Timóteo para que o mesmo procurasse a inteirasse do conhecimento das escrituras “...Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2.15), “Então Filipe, abrindo sua boca, e começando nesta escritura, lhe anunciou a Jesus” (At 8.35). É preciso que estejamos prontos á levar a mensagem, procurando estudar sistematicamente a Bíblia. Aquilo que a eloquência , o argumento e a persuasão não pode fazer, a Palavra de Deus o faz quando apresentada com a unção do Espírito Santo.
b) Ter ardente amor ás almas perdidas – Levar a palavra pode nos fazer correr riscos, mas era assim que Igreja Primitiva fazia, enfrentava dificuldades, prisões, perseguições, proibições, ameaças e até a morte, mas nada pôde parar o avanço do evangelho naqueles dias. Pois eram constrangidos pelo o amor de Cristo (2 Co 5.14) e não podiam deixar de falar do que tinham visto e ouvido (At 4.20). Para lograrmos êxito no evangelismo, é necessário pedir ao Senhor que nos encha o coração de amor pelos os perdidos. Expressou Brainerd:

“Não me importava onde ou como vivia nem as experiências duras que passava, se isto me levava a ganhar almas para Cristo. Enquanto dormia era este o meu sonho e quando acordava o meu primeiro pensamento neste grande trabalho estava.”(Brainerd)

quarta-feira, 28 de junho de 2017

INSPIRAÇÃO DIVINA E AUTORIDADE DA BÍBLIA


O tema desse estudo é a Inspiração Divina e Autoridade da Bíblia. Deus, o autor da Bíblia, inspirou os escritores sagrados. A Bíblia é constituída de 66 livros, e foi escrita em um período de 1600 anos. Deus usou cerca de 40 homens para compô-la. Os homens santos escreveram a Palavra de Deus valendo-se do próprio estilo, vocabulário, cultura e da direção do Espírito Santo. Por isso, Cremos na inspiração divina e autoridade da Bíblia Sagrada.
I – TEXTO BÍBLICO
(2 Timóteo 3.14-17).
14 – Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido,
15 – E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.
16 –  Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça;
17 –  Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.
I – ARGUMENTO TEOLÓGICO
1 – A Autoridade Divina
“[…] Um resumo a respeito do que a Bíblia alega sobre si mesma pode ser encontrado em duas passagens principais, Pedro disse que os autores foram impelidos pelo Espírito Santo, e Paulo declarou que seus escritos foram soprados pelo próprio Deus. Portanto, a Bíblia alega que autores movidos pelo Espírito Santo expressaram as palavras inspiradas por Deus (2 Pé 1.20,21).
Em suma, os escritos proféticos (do Antigo Testamento) não tiveram sua origem nos homens, mas em Deus, que agiu por meio de alguns homens chamados de profetas de Deus” (GEISLER, Norman. Teologia Sistemática: Introdução à Teologia Sistemática, a Bíblia, Deus, a Criação, 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, pp. 213,214).
“Existem muitas palavras ou frases que a Bíblia utiliza para se autodescrever e que sugerem uma reivindicação de autoridade divina. Jesus disse que a Bíblia é indestrutível e que ela jamais passará (Mt 5.17,18); ela é infalível, ou ‘não pode ser anulada’ (Jo 10.35); ela tem a autoridade final (Mt 4.4,7,10); e ela é suficiente para a nossa fé e prática (Lc 16.31)” (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p. 218).
“Apesar do mistério que ronda o modo como Deus fez com que sua palavra fosse fiel sem destruir a liberdade e a personalidade dos autores humanos, existem algumas coisas que ficam muito claras. Os autores humanos não eram simplesmente secretários que anotavam algo que estava sendo ditado a eles; a sua liberdade não foi suspensa nem negada. Eles não foram autômatos.
As suas palavras correspondiam ao seu desejo, no estilo em que estavam acostumados a escrever. Na sua providência, Deus promoveu uma concordância divina entre as palavras deles e as suas” (HORTON, Stanley M, Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p. 222).
Mensagem a todos os povos
Através do mundo inteiro, qualquer crente, ao ler a Bíblia, recebe sua mensagem como se esta fora escrita diretamente para ele. Nenhum crente tem a Bíblia como livro alheio, estrangeiro, como acontece aos demais livros traduzidos. Todas as raças consideram a Bíblia como possessão sua.
Por exemplo, ao lermos ‘O Peregrino’ sabemos que ele é inglês; ao lermos ‘Em seus passos que faria Jesus?’ sabemos que é norte-americano, porque seus autores são oriundos desses países. É assim com a Bíblia? Não! Nós a recebemos como ‘nossa’. Isso acontece em qualquer país onde ela chega.
Ninguém tem a Bíblia como livro ‘dos outros’. Isto prova que ela procede de Deus — o Pai de todos” (GILBERTO, Antônio. A Bíblia através dos Séculos: A história e formação do Livro dos livros. 14.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 46).
A Septuaginta (LXX)
A versão padrão em grego [do Antigo Testamento], produzida em Alexandria, é conhecida como Septuaginta (LXX), que é a palavra latina para ‘setenta’. Essa tradução foi, sem dúvida, realizada durante os séculos III e II a.C.,” e “não foi projetada para ter as mesmas finalidades funcionais do AT hebraico, pois seu propósito era para ser lida publicamente nas Sinagogas, ao contrário dos propósitos educativos daqueles que precisavam do texto hebraico”. Para conhecer mais, leia, Dicionário Bíblico Wycliffe, CPAD, pp.1994-95.
2 – A oposição
O Diabo tem feito de tudo para difamar a Bíblia; e uma de suas principais estratégias tem sido a disseminação do falso ensino de que as Escrituras não é a Palavra de Deus, mas apenas a contêm. Nesta lição, estudaremos alguns assuntos relacionados à transmissão, formação e inspiração divinas da Bíblia.
Obs.:”Rivais das Escrituras – Historicamente, a Igreja Cristã tem reconhecido a autoridade das Escrituras nas questões de fé e prática. Isto não quer dizer que não tem havido, e não continua a haver rivais quanto à reivindicação de plena autoridade feita pela Bíblia. Esses rivais tendem a subordinar, ou qualificar, a autoridade das Escrituras, ou mesmo igualar-se a ela.
O primeiro rival foi a tradição oral. Lado a lado com a Palavra escrita circulavam amplamente histórias e ensinos religiosos […]. Por isso, estando a tradição oral de acordo com as Escrituras, reflete a autoridade delas; quando, porém, se desvia da Palavra escrita, a sua autoridade desaparece. O segundo rival, quanto à autoridade religiosa, é a Igreja […].
Os católicos romanos alegam que a Igreja foi a instituição que produziu as Escrituras do Novo Testamento e que, em certo sentido, estabeleceu o cânon das Escrituras. Na prática, a Igreja Católica coloca-se acima das Escrituras, […] de modo sutil, a Igreja Romana havia usurpado a autoridade das Escrituras, atribuindo esta autoridade aos seus próprios ensinos internos”. (HORTON, S. M. Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal. RJ: CPAD, 1996, p.86.)

II –  A TRANSMISSÃO DA BÍBLIA
Como a Bíblia chegou até nós, na forma em que a conhecemos? Essa é a pergunta que não se cala entre crentes e descrentes. Em qualquer lugar do mundo é possível acessar a Bíblia na forma de livro. Ela á foi traduzida para mais de 1.600 idiomas e dialetos. Porém, há mais de 4.000 povos que ainda não podem ler as Escrituras em sua própria íngua. Eis aí um enorme desafio Dara a igreja do Senhor Jesus.
1 – A transmissão oral.
Nos tempos mais remotos, conforme registros do Antigo Testamento, o Senhor comunicava-se com o homem verbalmente. Tanto é que lá no Éden, ele fora advertido pessoalmente pelo Eterno que não comesse do fruto da “árvore da ciência do bem e do mal” (Gn 2.17). Todavia, ordem divina não foi cumprida, acarretando o drástico fim da comunhão entre Deus e sua principal criatura.
a) No período antediluviano.
Antes do Dilúvio, a Palavra de Deus fora transmitida oralmente por 1.656 anos, aproximadamente. Esse período envolve os capítulos 1 a 5 de Gênesis, isto é, de Adão ao dilúvio. Época em que Deus criou os céus e a terra, o homem e os demais seres vivos; nesse período, deu-se o crescimento e o desenvolvimento do ser humano, e a corrupção geral do gênero humano, que culminou com o juízo divino sobre a humanidade.
b) Do dilúvio a Abraão.
Esse período compreende 1.427 anos, e envolve os capítulos 6 a 11 de Gênesis. Nesta época, Deus alertara Noé acerca do dilúvio, salvando a vida de oito pessoas: o patriarca, sua esposa, os três filhos (Sem, Cão e Jafé), e suas três noras. Se fizermos uma leitura cuidadosa das Escrituras verificaremos que Abraão transmitiu a Palavra de Deus oralmente a Isaque, e que essa mesma tradição perdurou até os dias de Moisés.
Este, bem informado sobre os fatos transmitidos por seus pais, teve plena condição de ser o primeiro escritor humano da Bíblia Sagrada. “Então disse o Senhor a Moisés: Escreve isto para memória num livro e relata-o aos ouvidos de Josué…” (Êx 17.14).
c) A Palavra de Deus transmitida por nove homens.
Desde o dia em que Deus falara a Adão (Gn 1.28), até a época em que ordenara a Moisés escrever sua Mensagem (Êx 17.14), nove homens receberam o encargo da transmissão oral: Adão (930 anos) falou a Lameque (777 anos); este, a Noé (950 anos); este, a Abraão (175 anos); este, a Isaque (180 anos); este a Jacó (147 anos); este a Coate (133 anos); este a Anrão (137 anos); e este a Moisés (120 anos). A despeito da longevidade desses patriarcas, foi o próprio Deus que, milagrosamente, assegurou a fidelidade da transmissão de sua Palavra.
2 –  A transmissão escrita da Bíblia.
Os chamados “livros canônicos” da Bíblia foram reunidos ao longo de 1600 anos; e isso se deu de forma especial e impressionantemente harmônica. Só a predominância da vontade de Deus sobre a mente humana pode explicar como cerca de 40 escritores puderam escrever os livros da Bíblia a partir de condições e circunstâncias tão diversas.
a) Deus, o único autor da Bíblia.
A despeito de Deus ser o único autor da Bíblia e de ter inspirado a todos os demais escritores, Ele mesmo se incumbiu dos primeiros registros das Escrituras: “E deu a Moisés (quando acabou de falar com ele no monte Sinai) as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus” (Êx 31.18; 32.16; Dt 4.13; 10.4). Trata-se, aqui, do Decálogo, um resumo eloquente e poderoso de toda ética bíblica.
b) Moisés, o primeiro escritor.
Deus ordenou a Moisés que escrevesse num livro as orientações a seu sucessor, Josué: “Então disse o Senhor a Moisés: Escreve isto para memória num livro e relata-o aos ouvidos de Josué…” (Êx 17.14). Moisés tornou-se, desta forma, o primeiro escritor humano das Sagradas Escrituras. A Bíblia afirma que ele “escreveu todas as palavras do Senhor” (Êx 24.4); e que também, por ordem divina, guardou o livro da Lei “ao lado da arca do concerto do Senhor” (Dt 31.26).

III –  A COMPOSIÇÃO DOS LIVROS DA BÍBLIA
1 – A biblioteca divina.
A Bíblia é constituída de 66 livros, e foi escrita em um período de 1600 anos. Durante esse tempo, Deus usou cerca de 40 homens para escrever, reunir e preservar o Sagrado Livro. Nela encontramos histórias, poesias, biografias, normas, orações, profecias e outros relevantes temas e diversos gêneros literários. Em todos os livros, Cristo é o tema central da Bíblia.
2 –  O cânon bíblico.
A palavra “cânon”, antigamente, referia-se a uma haste usada para medir (Ez 40.3). Mais tarde, passou a significar regra, norma, ou padrão de medida (Gl 6.16; Fp 3.16). Aplicada à Bíblia, “cânon” é o conjunto de livros inspirados por Deus que transmitem a vontade do Eterno para sua Igreja, regulamentando a vida e a conduta de fé dos cristãos. O cânon do Antigo Testamento foi plenamente concluído em 1.046 anos, aproximadamente; e o do Novo, por volta do ano 100 d.C.
A forma de comunicação
O processo de comunicação divina aos profetas do Antigo Testamento se desenvolveu por meio da palavra e da visão, do som e da imagem (Jr 1.11-13). A revelação aos apóstolos no Novo Testamento veio diretamente do Senhor Jesus Cristo (Gl 1.11,12; 2 Pe 1.16-18; 13o 1.3) e do Espírito Santo (Ef 3.4,5). A frase “veio a palavra do SENHOR a”, “veio a mim a palavra do SENHOR” ou fraseologia similar, tão frequente no Antigo Testamento, diz respeito a uma revelação direta, externa e audível.
Essa forma de comunicação não aparece no Novo Testamento na comunicação divina aos apóstolos, exceto uma única vez no ministério de João Batista: “veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias” (Lc 3.2), pois ele é o último profeta da dispensação da lei (Lc 16.16).

IV –  INSPIRAÇÃO E REVELAÇÃO DA BÍBLIA
1 – A inspiração da Bíblia.
Compreende-se por “inspiração” a influência e a ação divina exercidas sobre os escritores da Bíblia (2 Tm 3.16; 1 Pe 1.19-21). Os homens santos escreveram a Palavra de Deus valendo-se do próprio estilo, vocabulário e cultura, sem prescindirem da direção sobrenatural do Espírito Santo.
2 –  A inspiração verbal e plenária.
Por inspiração verbal entende-se que os escritores sagrados atuaram sob a direção incondicional do Espírito Santo. Eles escreveram exatamente o que o Senhor desejava que fosse escrito. Portanto, a inspiração verbal das Escrituras não é uma mera teoria, mas a natureza própria da Bíblia (2 Sm 23.2; 1 Co 2.13; Hb 3.7). A inspiração plenária indica que o conteúdo, o ensino, e a doutrina das Escrituras, foram completamente inspirados por Deus. Não há na Bíblia qualquer parte que não seja inspirada e autorizada por Deus: “Toda a Escritura é divinamente inspirada” (2 Tm 3.16 – ARA).
3 –  Traduções Bíblicas.
As fontes originais dos escritos bíblicos, os chamados autógrafos ou manuscritos foram inspirados por Deus. Porém, as inúmeras cópias deles extraídas, bem como as traduções ou versões, muitas vezes modificadas pelos copistas ou tradutores, nem sempre são consideradas escritos inspirados. Somente as traduções ou versões comprovadamente fiéis aos originais, acham-se dignas dessa reputação.
4 –  A revelação bíblica.
Por “revelação”, entende-se o agir de Deus pelo qual Ele dá a conhecer ao escritor sagrado coisas ignoradas, isto é, o que este, por si só, não poderia saber. Ver Dn 12.8; 1 Pe 1.10,11. A inspiração nem sempre implica revelação. Toda a Bíblia foi inspirada por Deus, mas nem toda ela foi dada por revelação. Lucas, por exemplo, foi inspirado a examinar trabalhos já conhecidos e escrever o Evangelho que traz o seu nome (Lc 1.1-14). O mesmo se deu com Moisés, que foi inspirado a registrar o que presenciara, como relata o Pentateuco.

CONCLUSÃO
A Bíblia é a fonte mais fidedigna sobre a origem da vida e do homem; bem como do desenvolvimento da humanidade a partir da criação, passando pela Queda e Redenção, até o final de todas as coisas, na consumação dos séculos. Conforme o estudo em apreço, a Bíblia é a Palavra de Deus. Ainda que os ateístas ou materialistas, invistam de forma grosseira contra o Santo Livro, este permanece inabalável em seu conteúdo, revelado e inspirado por Deus. Leia também sobre a Fidelidade de Deus.

Referências
Dicionário Bíblico Wycliffe. CPAD, pp.1994-95.
GEISLER, Norman. Teologia Sistemática: Introdução à Teologia Sistemática, a Bíblia, Deus, a Criação. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.
GILBERTO, Antônio. A Bíblia através dos Séculos: A história e formação do Livro dos livros. 14.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
HORTON, S. M. Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal. RJ: CPAD, 1996.
RENOVATO, Elinaldo. O Deus do Livro e o Livro de Deus – Lições Bíblicas CPAD Jovens e Adultos 4º Trimestre de 2008 – Lição 11: A completude da Bíblia – Data: 14 de Dezembro de 2008.

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terça-feira, 13 de junho de 2017

A CORRIDA PARA O ALVO.

Texto:  - Hb 12.1-4

Muitos dedicam suas vidas em busca do sucesso, visando apenas os valores materiais. Poucos alcançam estes valores, mas, quando o fazem, percebem que ainda falta lhes falta algo. Só Deus pode preencher este vazio na nossa alma, e assim ele nos incentiva a nos esforçarmos para alcançar a recompensa maior: a vida eterna em Cristo Jesus. Introdução Sabemos que o atleta no mundo corre por um prêmio corruptível, também sabemos que nós, os servos do Senhor, corremos igualmente por uma recompensa não corruptível que é a vida eterna, por uma coroa, a coroa da vida. 

O Senhor deseja nos falar sobre a nossa corrida rumo à eternidade.

 Preparo do atleta no mundo - O atleta que não é servo se abstém de muitas coisas ou renuncia a muitas coisas; renuncia à vida social, alimentação, vestimentas, família, lazer, vício, etc. Ele tem que estar totalmente concentrado no seu objetivo, que é receber o prêmio. A alimentação não é a que ele gosta, mas a que ele necessita. A família fica em segundo plano, porque ele passa horas treinando, concentrado, etc. A vestimenta tem que ser apropriada para não causar dificuldade na corrida. Eles fazem todo esse esforço sem ter certeza de que vão alcançar o prêmio, pois podem aparecer obstáculos que os impeçam. Por exemplo: pode surgir um melhor do que ele, ou pode acontecer um problema físico, e assim por diante. 

 Preparo dos servos - Os servos também se abstém das mesmas coisas que o atleta. Por que renunciamos à sociedade corrompida? Porque para corrermos bem, como disse o apóstolo Paulo, a carreira que nos está proposta, precisamos andar ou viver na orientação do Espírito Santo. "E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me." Lc 9:23 Tomar a cruz significa renúncia ao nosso próprio eu (o viver segundo a carne). Renunciamos à alimentação que o mundo oferece como Daniel, que se absteve dos manjares do rei. A vestimenta do "atleta" (incluindo as servas), deve ser purificada no sangue de Jesus, isto é, vestes santas. Devemos produzir o fruto do Espírito Santo: domínio próprio, paciência, etc. 

 Com relação à família, a Palavra de Deus nos ensina que aquele que não deixar pai e mãe por amor do Senhor Jesus, não é digno dele. Em que sentido? No sentido de colocarmos o Senhor em primeiro lugar. No que tange ao lazer: nós nos abstemos do lazer que o mundo nos oferece para nos alegrarmos na orientação do Espírito Santo, na verdade nos abstemos somente daquilo em que o pecado está envolvido. Já os vícios, o Senhor retira de nós aquilo que nos faz mal, exemplo: o alcoólatra prejudica a sua saúde, a sua família, e principalmente a sua vida espiritual.  

 Conclusão 

O atleta perde para ganhar, Paulo escreveu aos Filipenses: "mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo” Fp 3:7. Assim como o atleta obedece ao seu instrutor para conseguir o almejado prêmio, sem ter certeza de que conseguirá, o servo do Senhor é obediente às orientações do seu conselheiro, o Espírito Santo, e luta com a certeza de que se andar nesta direção, na revelação, conseguirá alcançar o projeto de Deus para sua vida. Para Deus não há melhor nem pior, maior nem menor, é só corrermos, não olhando para trás, não nos embaraçando com as coisas dessa vida, não desistindo de perseguirmos o alvo. Assim como Deus deu a ordem para Israel comer o cordeiro apressadamente, antes de sair do Egito, porque Faraó estava no seu encalço, devemos obedecer ao nosso guia, porque a volta de Jesus está muito próxima e não podemos correr o risco de ser surpreendidos pelo adversário e, desanimados, perdermos o nosso prêmio. Eli – corria bem até que perdeu o ânimo de lutar. 1Sm 3:2, 1Sm 4:18 Elias – também acomodou-se, mas recebeu o renovo do Senhor e pode caminhar até o dia do seu arrebatamento. 1Rs 19, 2Rs 2:11 Vamos buscar o renovo, para continuarmos a nossa caminhada e alcançarmos o prêmio que é a vida eterna. A renúncia para seguir a Cristo é passo importante nesta carreira para a eternidade. Para sermos atletas conscientes, temos que reconhecer que precisamos renunciar ao mundo com seus prazeres, a opinião dos amigos, abrir mão da nossa razão dando a direção da nossa vida ao Espírito Santo. "Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça e as outras coisas vos serão acrescentadas" Mt 6:33

José Roberto Alves.